Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



domingo, agosto 31, 2008

Fix you

É uma canção linda, letra & música juntas. O vídeo também. Vi uma série chamada 1300g sobre neuro-cirurgiões (fait-divers): sobre ética médica e Humana. Assim como o House é acerca de segredos & mentiras, e o Dexter do lado B da Vida, do hemisfério direito. Por isso são boas, têm McGuffin e disfarçam, as novas séries que fazem pensar quem quiser, sem sair do sofá. É preciso que olhem e entendam, tal como Fix You é sobre nós. Todos. e Continua.


When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worse?
Lights will guide you home,
And ignite your bones,
And I will try to fix you,
High up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I
Tears stream down your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

sábado, agosto 30, 2008

I´m a Keeper

Estou a escrever a uma hora decente, o que é estranho, ainda mais a um sábado. A minha vida é estranha, e é disso que vou escrever.
O John Lennon foi o guru atribuído a este blog, por causa da sua maravilhosa frase que sintetiza todas as frases. Ele tinha essa capacidade, na letra e na música. Não quero saber quanto ácido, quantas tripes, quantas curtes, quanto mau carácter, quão mau pai, mau filho e mau espírito santo, quanto karma e quanto desincarna.
Não quero saber ascendente, descendente ou meio-do-céu, já-lhe sei o chinês e é uma pena - é um atributo, um atributo a mais, não uma pessoa. Com o Carl Sagan é a mesma coisa, só que tive sorte de ser mais tempo sua contemporânea.
O John Lennon morreu quando eu tinha 6 anos e praticamente desconhecia os Beatles... mas já me babava com o Cosmos. São mundos à parte onde a gente se perde.
A realidade alternativa onde eu gostava de ser boa música (aplicada, etc), a realidade alternativa onde eu gostava de ser astrónoma (física) como no Contacto e astronauta (como eu pensava que eram os astronautas nos anos 70).
Algumas ilusões passam, outras ficam. Algumas tristezas ficam, outras passam. Nunca serei minimamente virtuosa em qualquer instrumento, adoro música e tenho uma perda de audição na frequência da voz humana do ouvido direito que não investigo há muito tempo.
Carl Sagan morreu com uma doença que eu estou apta a tratar - 40 a 60% das vezes, teoricamente, a curar num país de uma outra realidade. Ele tinha uma irmã compatível 6/6 (totalmente) e fez 2 transplantes de medula no melhor hospital do mundo nesse aspecto. E morreu. Poeira de estrela.
Tem piada, no outro dia eu a (tentar) fotografar estrelas com o telemóvel (2 megapx), pensei para comigo "pixel dust", pó de pixel, como é parecido com pixye dust , pozinho de perlimpimpim da Sininho.
Isto é uma das coisas que me acontece, divagar, mesmo num dia mau. Mas queria dizer, acerca dos meus gurus e das minhas coisas, I'm a Keeper, sou uma "guardadora", uma daquelas pessoas que se arrepende amargamente de deitar coisas fora (principalmente do próprio disco rígido), sou uma recolectora, guardo tudo o que vejo e gosto (vá lá, não é tudo). Guardo conchas, búzios, ouriços, fósseis, procuro-os.
Sou também uma "procuradora" (no sentido de rastreadora), o google foi inventado para mim...no país errado.
Nunca me contento com meias tintas, tenho que saber o suficiente para dominar a matéria, seja doença ou tratamento, local, livro ou filme ou pessoa, analiso divido disseco até ficar às peçazinhas como os móveis do IKEA, mas do tamanho de Legos (racionalização nórdica...). Não há problema, gosto ainda mais de os montar (com competência, diga-se de passagem) certinhos e direitinhos com estavam antes (arte de csi, não contaminar as provas).
Para que é que isto me serve? O mundo é à prova de lógica, ficava o IKEA ao contrário... Não que se notasse muito. Para me chatear, porque é irritante e ninguém está realmente interessado em explorar miudezas. Eu sei que na natureza não há 2 coisas iguais, exactamente iguais, e na diferença estará a alegria do mundo, sabendo procurá-la. Esqueço-me da árvore, da floresta? Não, irritantemente, a minha lista de espera também as contempla.
Gostava de ter uma daquelas máquinas fotográficas bestialmente bué bué bué da boas para estar sempre tlic tlic tlic perto e longe, zoom e grande angular. Interessa-me mais guardar imagens que sons ou cheiros. Pensamentos, esses ficam cá dentro, olfacto, muito ultrapassado nas laqueações de vasos do nariz (no entanto, acho, que o subestimo), audição, o que quero fica cá muito dentro, é irónico, tenho uma queda para timbres de voz e para escalas. Posso dizer que facilmente implico ou não com uma pessoa consoante a voz, é talvez a característica que primeiro me atinge (conscientemente). O que curiosamente não tem nada a ver com os pressupostos científicos de ponta. O olhar, gosto de guardar como se fosse um outro olhar para além do meu, daí a doidice das fotografias (dará por si só muitos temas).
I'm a keeper, gosto de guardar de ver de integrar de ouvir, de fazer funcionar de dar sentido de empurrar, de falar e de dar. Quando se é um bom keeper também se é um bom giver. Pena que o mercado esteja tão mau.
E não, realmente não compensa, só complica, não vejo uma única vantagem evolutiva em termos biológicos ou humanos que possa trazer, na actual conjuntura. Apesar da dor de cabeça, a conjuntura que se lixe.

terça-feira, agosto 26, 2008

centésima


O mundo sem países. The saddest song I've got (Annie Lennox)

domingo, agosto 24, 2008

corolário

A morte é o que acontece quando deixamos de ter planos para fazer.

the saddest song


Não fazia ideia de que a primeira mulher de Claude Monet tivesse morrido com tuberculose, pouco depois de ter dado á luz o seu segundo filho. Não fazia ideia de que Monet a tivesse pintado no seu leito de morte. a canção mais triste que canto... Aqui fica com a promessa de a ela voltar. É demasiado perturbadora.

Son lit de mort parece uma teia, um véu que a isola e a separa. A sua expressão demonstra que nem Monet sabia o que pintar, se a feliz última submissão ou se a infeliz última agonia. Alguém, no enquadramento ou fora dele está a ver a morte de frente e não sabe bem o que fazer.

quinta-feira, agosto 14, 2008

My own private Nirvana

"thank you for the music"
O meu nirvana é feito dos que ouvem e amparam (mesmo que o meu mundo não seja desta terra). O meu nirvana é para, pensar e ser eu só, escrever, voltar a mim e às minhas ideias. Mais pacíficas do que eu. Não gosto de violência, mas posso ser tão violenta, bruta, brusca, meu Deus tudo junto o que eu não quero numa centelha de segundo.
Na próxima re-encarnação deveria ser cega surda e muda e com uma paciência infinita... talvez um insecto seja assim. Talvez eu merecesse ser um insecto feliz.
A palavra chegou, control-freak, acompanhada pelo seu derivado, hoje em dia somos todos control-freaks dentro de certos parâmetros. O medo de perder o controlo, emocional, racional, físico, de uma situação é cada vez mais potente na sociedade, mas a sociedade cada vez mais premeia os que se extinguem, que se anulam (os freaks que já não precisam de controlo).
Eu preciso de um certo número de variáveis controladas, embora não saiba quando vai eclodir a guerra que nos matará a todos, o terramoto, o asteróide, a calamidade, a epidemia, o atentado terrorista, a calamidade económica ou apenas uma impossibilidade física ou eléctrica que faça o coração deixar de bater.
Eu preciso de pensar sozinha, mas de ouvidos que me oiçam. Terei verdadeiramente sido abençoada nalgum aspecto. Quero acreditar que sim. Que os ouvidos que me ouvem são da mais pura qualidade. E que os ombros que me acolhem não desistirão por um segundo. Isto será nirvana. Não peço mais.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Split Second (I.I) - O mundo ao contrário

É uma coisa estranha e já antiga que faço.
Quando era mesmo, mesmo pequenina, a minha ideia de Deus estar em todo o lado era Deus está em todo o lado, logo, se quiser, também pode "ouvir" o que estou a pensar. Isto não num contexto de oração (nunca fui muito do estilo "pay per view" ou já agora Senhor toma lá umas Avé-Marias e alegra o meu dia).
Também não o tratava por Senhor, era Deus ou tu (não me parece que fosse com T grande, embora fosse deferente e diferente). Também não era num contexto esquizóide ("eu oiço vozes dentro da minha cabeça"). Pura e simplesmente, falava com Ele, pensando (obviamente era um monólogo - a Voz Divina tem caminhos insondáveis, e ainda bem).
Com o passar do tempo, cresceu a distância, as certezas e as incertezas. A nossa relação "madura" é feita de altos e baixos mas pouca ligações directas.
Todavia, uma coisa que -acho - não Lhe deve passar ao lado, é a minha mania de "ligações indirectas quase directas". No meio de uma coisa especial ou especialmente bonita, geralmente lembro-me sempre de alguém que devia estar presente, que era imperativo estar ali, agora, a ver e ouvir o mesmo que eu, de alguma forma por uma luzinha que lhes envio. Terem a oportunidade de perceber, sentir e sentirem-se lembrados. Alguns deles por imperativos vários, outros por uma ausência de facto que já é mais difícil de transpor.
A minha professora de piano, em tantos concertos da Festa da Música.
A minha avó, quando vou ao Coliseu dos Recreios (apesar de eu não gostar particularmente de lá ir).
A minha avó Palmira, quando as pegas de caras correram bem (e ela a espreitar por entre os dedos) e cada vez que provo um bom arroz doce.
O meu padrinho, quando os dias parecem que param e fazem slow-motion como uma câmara de filmar à nossa volta devagarinho, e de repente percebemos que uma coisa que estava à nossa frente há muito tempo acabou de fazer plim.
E ao contrário, os concertos do Toumani Diabaté e do Elíades Ochoa, o Jardim das Oliveiras cheio cheio, as luzes no meio do rio que vêm devagar da Costa da Caparica e vão passando a Ponte (para mim é só "a ponte", muito obrigada, não há outra como esta), a lua quase uma risca no poente e as estrelas até se vêem numa cidade iluminada. Lembram muita coisa. Em ligação directa. Que não precisa ser com o além.

intermezzo

Uma pessoa sente-se fina, mas não no estilo elite dominante ou qualquer coisa do género.
É algo que vem mesmo de cima (em contrapartida a tudo o que vem intrínsecamente de baixo, do que faz por ser e por estar e por parecer) e que não tem silly season.
É um boião de cultura, não gratuito, mas a preço tão acessível que faz a gasolina e os tinteiros para as impressoras parecem ridículos, senão mesquinhos.
A música está aqui - ainda não a levaram - , nem o Pai, o Filho e o Espírito Santo apanharam o último comboio para a costa (como no bye, bye miss american pie...). O espaço e o tempo, que temos sem dúvida que os arranjar nós, ainda estão disponíveis.
Hoje aprendi com um senhor cubano que veste de negro, que se pode ser humilde, diplomata, músico, pobre, rico, ter uma família em cada sorriso, ser feliz e cantar. Não diria apesar de ser cubano. Diria com todo o orgulho em ser cubano, sem cravar uma caneta, isqueiro ou telemóvel. Com ou sem camarada Fidel.
Devíamos aprender a ser todos cubanos, não só a chorar a morna deste triste fado, mas a cantar a música que nos devolverá a esperança.
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