Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



sexta-feira, outubro 31, 2008

Coisa Ruim (2)

Quando temos 6 anos, há uma data de coisas que nos interessam que não têm nada a ver com adultos. Tirando o miminho. Nunca fui miúda de me especar à frente de uma loja e desatar a chorar não saio daqui sem isto. Tinha a minha bonecada - que era só minha, alguma herdada da minha mãe, outra mais recente estilo Tuchas, Nancys (bonecas anatomicamente correctas para crianças ao contrário da Barbie que cá só apareceu tinha eu já mais de 10 anos -sempre a detestei), legos, muitos legos, carros, um comboio eléctrico, muitos bonequinhos pequenos, os Estrumpfes, os Marretas, o Tintim, o Dartacão, as cadernetas de cromos disso tudo, a febre dos iô-iôs (que eu nunca pesquei) e do cubo mágico (ainda menos) e sim, a Hello Kitty avant la lettre, Sarah Kay, Bobby & Kate (com a diferença que na altura era tudo made in Hong Kong, o que acaba por ser, geograficamente no mesmo sítio).
O meu excelso discordava dos bonecos, qualquer boneco. Ele não teve bonecos, ergo ninguém precisa de bonecos, são uma mariquice com que se brinca 5 minutos e está a andar. Penso que ele deve ter nascido noutro planeta, porque até naquelas remotas aldeiazinhas de África os miúdos inventam brinquedos com imensa imaginação e não brincam com eles só 5 minutos, é até eles aguentarem. Portanto sempre deve ter achado que o meu superavit era maior do que o FMI (outros tempos) e nunca me deu nada (material, físico), que eu me lembre antes do divórcio, que não as esporádicas estaladas e puxões de orelhas. Com o tempo, fui-me esquecendo da única lembrança boa que tinha, que era ele pegar-me ao colo quando eu era muito pequenina e fazer carrossel. Sei que gostava e que era bom, mas bloqueei o sentimento.
Depois do divórcio continuei a ser um fait-divers entre as fileiras, estilo arma de arremesso. Ele nunca me viu como pessoa, quanto mais como filha. Ele sempre me viu como uma maneira de atingir a minha mãe, mesmo que isso implicasse por-me a mim a chorar primeiro. Sempre conseguiu aborrecer-me de morte com conversas telefónicas intermináveis estilo sermão de padre, sobre o seu infinito amor. O pior é que ele nunca foi dotado para o discurso nem para as letras e era mais fácil apanhar-lhe contradições e partes gagas do que espremer-lhe uma pitada de discurso genuíno. Tinha cassete. Estragada.
Até à minha maioridade, deu-me: # (a muito custo) um brinquedo giro do Grandella (ou Chiado?), quando havia aquelas moooontras de Natal; não me lembro o que era, foi estragado pelo meu primo antes de eu sequer olhar para ele
#(a muito custo) uma casa que era uma árvore e que abria e fechava (brinquedo, para aí na 1ª comunhão)
#uma máquina fotográfica tão bera, que nem me lembro se se estragou em 5 minutos, nem sequer como ela era
#uma boneca enorme patinadora quando eu tinha 14 anos...
#uma máquina de calcular com senos, cosenos, tangentes e essa porcaria toda
# (já estava na faculdade) um orgão para aí com 3 oitavas - eu tenho um piano...
# um computador (escolhido por mim), quando acabei o curso; suponho que quando me reformasse ele estivesse a pensar dar-me um smart for two
O dever mensal obrigatório em pilim foi de 2000$, exactamente, 2000$, com abono de família incluído, até que a minha mãe levou aquilo para tribunal e aumentou para 20.000$, corrigíveis com a inflação. Fiz 18 anos, acabou.
Ficou claramente de trombas por eu ir para medicina, embora depois apregoasse que tinha uma filha DRA, assim como ele é biólogo DR nos cheques da Cx Geral de Depósitos (what else?). Tal como a barba e o bigode, também me perguntou se eu estava interessada em que ele ficasse com a casa nos Açores, uma vez que, da família que não tinha morrido lá, tratou ele cá, numa casinha que comprou em Azeitão. Como eu estava interessada, ele vendeu-a.
Tentei várias vezes contar até 1000, ter paciência, ouvir a enésima história a sair pelo o outro ouvido, sobre como a minha mãe e avó eram intriguistas e ele era um santo, na tentativa de encontrar alguma coisa que nos pudesse aproximar, como Biologia, Informática, os Açores.
Houve sempre pedras na engrenagem, ele é que sabia, ele é que sabia mais, incrustado numa psicologia de funcionário público terrível, mas que muda a direcção dos salamaleques consoante a direcção do vento. Ele basicamente nunca fez nada, fingiu que investigou umas coisas ao microscópio, que é como se finge que trabalha em ciência por cá, antes daquela coisa da gestão por objectivos. Ele basicamente guia pessimamente, é inexplicável, deve ser o meu lado ligeiramente italiano que se encarapela dentro dum carro com ele e apetece empurrá-lo porque anda em 3ª ou 4ª a 20km/h.
Esta 2ª parte não seria dramática, se não fosse absolutamente verdadeira, mas ainda não deitei tudo fora. Há mais e pior.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Acho que estou a precisar de um bocadinho de House

(só de um bocadinho, já que não pode ser todo; ou o Wilson, que eu não sou esquisita)
... e já agora ao som da Sarah Brightman ...
Esta gente no YouTube faz maravilhas, é verdade e tem que ser dita.

Faz parte da mitologia do House a adição a opiáceos devido àquilo que se vê e se sabe (e está mal caracterizado, devia ter menos músculo), que foi uma trombose arterial da coxa esquerda -coisa extremamente rara (geralmente é logo da perna toda...) e ainda por cima crónica (alegadamente o músculo continua a desfazer-se e daí os pain killers em necessidade crescente como smarties) - doença de médico indeed. Mas o que seria de House sem a bengala? O único homem capaz de inflingir dor a ele próprio (partindo uns ossitos da mão ao que parece) só para lhe passar a outra dor durante algum tempo...
I wonder, terá sido baseado em alguém, na realidade? Eu acho que era capaz de dar metaforicamente vários exemplos... Spooky




Deliver me / Sarah Brightman

Deliver me, out of my sadness.
Deliver me, from all of the madness.
Deliver me, courage to guide me.
Deliver me, strength from inside me.

All of my life I've been in hiding.
Wishing there was someone just like you.
Now that you're here, now that I've found you,
I know that you're the one to pull me through.


Deliver me, loving and caring.
Deliver me, giving and sharing.
Deliver me, the cross that I'm bearing.


All of my life I was in hiding.
Wishing there was someone just like you.
Now that you're here, now that I've found you,
I know that you're the one to pull me through.


Deliver me,
Deliver me,
Oh deliver me.


All of my life I was in hiding.
Wishing there was someone just like you.
Now that you're here, now that I've found you,
I know that you're the one to pull me through.


Deliver me,
Oh deliver me.
Won't you deliver me.

Tautologia brevíssima

Tenho falta de pessoas. Tenho frio, muito frio.

quarta-feira, outubro 29, 2008

uma prenda

...Qualquer coisa muito má precisa de uma muito boa pelo meio, para equilibrar a balança . O sr. Straight faz-me sempre lembrar o Pai Natal & the bluest eyes I've ever seen...



Aleluia! Um filme onde até o tempo pára para se verem estrelas á noite no campo é qualquer coisa...de puramente transcendente.

Coisa Ruim

Aí há uns tempos, dei por que "coisa ruim" também era sinónimo de mafarrico, diabo, etc. Mas se há coisa que o diabo não é, é deste mundo, logo poderá ser muito mais que ruim, mas nunca coisa.
Naquela fase em que o Miguel Esteves Cardoso escrevia coisas com piada e verdade em base regular (eu já só apanhei as "colecções de ditos" em livros, que li religiosamente), queixava-se uma vez (ele com 30 anos), que tinha tido uma infância perfeita, tão boa, tão boa, cheia de recordações e coisas boas, que tinha medo do futuro, porque só podia ser pior.
Pensava para mim que tinha também sido uma felizarda, bafejada com uma infância tão boa que. Lembro-me de haver tantas pessoas que gostavam de mim, me pegavam ao colo, me davam beijinhos ou miminhos, na exacta medida em que fossem pessoas de grandes ataques de mimosice ou não. Lembro-me de ver coisas bonitas e de as querer fixar na retina. Lembro-me da televisão, nunca dei pelos anos em que foi a preto e branco, o cocas sempre foi verde. Lembro-me do quintal da minha avó (bisavó) Palmira em São Bento, onde dava açucar às formigas. Lembro-me de haver partidos políticos com todas as letras do alfabeto e grandes murais. Lembro-me da gasolina ser super ou normal e ser normal meter 250$00 no depósito.
Lembro-me todos os dias de ver passar às 5 da tarde a camioneta do colégio e pensar que havia também de ser a minha camioneta. E foi. Lembro-me do vizinho, do orgão e da malfadada "Enola Gay" até à exaustão. E, coisa de privilegiada, absolutamente, até aos 3-4 anos, metíamo-nos num avião, atenção, um Jumbo, para ir para o campo. Galinhas, vacas, batatas, apanhei muitas, cenouras, fruta, andei de cavalo, patos, gansos, porcos, moínhos, queijos, lagoas... Só. O. Que. Me. Lembro. De. Bom. Donughts e bombocas. Bem, as pessoas desse campo falavam uma língua estranha, açoreano.
Coisa ruim, não os Açores. O que eu não lembro, não porque se me apagou mas porque o empurrei para o buraco-do-qual-nada-está-autorizado-a-saír. Estaladas e puxões de orelhas. Não me lembro porquê, não aprendi nenhuma lição com isso. Parece que foi porque sim.
Não foi abuso nem violência de menores. Foram discussões que ouvia todos os dias desde pequena. Ausências de carinho que se tornaram em ausências de amor e finalmente em ausência de pai demasiado depressa. Não me lembro simplesmente de ter pai. Lembro-me de viver um senhor lá em casa, mas não sei realmente quem era, até hoje. Lembro-me sim que era a altura das barbas e bigodes e das poucas coisas que lhe pedi foi que nunca os cortasse. Foi o que fez, assim que saiu de casa.
A infância perfeita que tenho foi filtrada das enxovalhadices do "isto é teu? então pássa a ser meu". Do que a minha mãe teve de trocar / pagar (?????!) por mim (pela minha custódia sem ir para o litigioso).
Não quis mais. Nunca quis mais aquele homem, aquela coisa ruim incapaz de esboçar um abraço, um afago, uma brincadeira. Que usou uma criança como uma arma. E a arma chorou e tornou a estender-lhe tantas vezes a mão a ver se ele percebia a diferença entre pessoas e inimigos.
Mas ele sempre foi uma ilha mais funda que o Faial lá dentro; nadar não é o meu forte, nem o dele. Não se entra nem se sai. E neste caso, por mais que eu gritasse de todas as margens, ele estava demasiado ocupado com a contemplação do próprio. Toda a sua miserável vida a tornar-me um pouco miserável também, sob disfarce.
Agora vou acabar com umas caixas de kleenexes, para conseguir chegar onde realmente quero chegar, quão ruim pode ser um pai. Ainda. Agora.

terça-feira, outubro 28, 2008

Tautologia breve

Quando me der uma inexcedível vontade de exercer um acto médico,
devo sentar-me, respirar fundo, e procurar acalmar-me,
demorando o tempo que for necessário até voltar à normalidade.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Rule the world

Este é outro grande objectivo para uma 2ª feira. Deve haver biliões (já não sei quantos, perdi a conta) a querer tomar conta do mundo... e daí, talvez nem por isso, como as coisas andam...
Adoro os Tears for Fears... foi há tanto tempo, não foi?



Welcome to your life
Theres no turning back
Even while we sleep
We will find you
Acting on your best behaviour
Turn your back on mother nature
Everybody wants to rule the world

Its my own design
Its my own remorse
Help me to decide
Help me make the most
Of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

Theres a room where the light wont find you
Holding hands while the walls come tumbling down
When they do Ill be right behind you

So glad weve almost made it
So sad they had to fade it
Everybody wants to rule the world

I cant stand this indecision
Married with a lack of vision
Everybody wants to rule the world
Say that youll never never never never need it
One headline why believe it ?
Everybody wants to rule the world

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

domingo, outubro 26, 2008

Àcerca da Dor dos Outros

Depois de On Photography e Ilness as a Metaphor e AIDS and its Metaphors, Susan Sontag escreveu em 2003 um ensaio sobre a maneira como reflectimos sobre a Dor dos Outros, sendo aqui dor significado de agonia, atrocidade, calamidade, holocausto, guerra. Sobre o significado do "aqui e agora" dos media e a passividade assumida dos espectadores / consumidores.
A página 103 não deve estar obviamente legível senão à lupa, por isso, dou uma ajuda
"(...)('Nunca esquecer.') Provavelmente demasiado valor é atribuído à memória e muito pouco ao pensamento. Lembrar é um acto ético, tem valor ético em si e por si. A memória é, dolorosamente, a única relação que podemos ter com os mortos. Logo, a crença da recordação como um acto ético é profunda na nossa natureza humana; sabemos que vamos morrer e choramos aqueles que no decurso normal da vida morrem antes de nós -avós, pais, professores, amigos mais velhos. A falta de compaixão (Heartlessness) e a amnésia parecem caminhar juntas. Mas a História envia-nos sinais contraditórios àcerca do valor da recordação / lembrança ao longo de uma era de história colectiva. Simplesmente há demasiada injustiça no mundo. E demasiadas recordações (de ódios/ tristezas antigas - Sérvios, Irlandeses) que azedam. Fazer (construir) a Paz é Esquecer. Para reconciliar, é preciso que a memória seja selectiva e limitada.
Se o objectivo é arranjar algum espaço onde viver a nossa própria vida, então é desejável que a "conta (corrente)" de dores específicas se dissolva num entendimento mais geral de que os seres humanos em todo o lado fazem coisas terríveis uns aos outros".
E acrescento eu, a isto chama-se crescer (cada vez mais dificil e incontornável). Somos anjos, somos diabos, somos bons, somos maus, ou qualquer coisa no meio? Encontrando o equilíbrio, como uma fera na selva.

O quarto do filho

A colecção de óculos dele pode ser ridícula desde o princípio dos anos 70, a maneira de vestir deixar a desejar desde o tempo dos snifanços de coca & etc. Podem achar as canções dele datadas, sei lá, fatelas? Eu não, tem tanto material bom e em constante regeneração. É um óptimo pianista e músico e, para o melhor ou para o pior não se lhe fica indiferente.
Esta canção, Last Song (como sempre da dupla Elton John / Bernie Taupin), em particular, toca-me por ser diferente. É do álbum The One, para mim, antes da banda sonora do Rei Leão, dos seus melhores trabalhos.
(Depois começou a enviesar, se é que a palavra é aplicável. Escrevem-se canções de amor para homens e para mulheres, cantadas por homens e por mulheres. So what? Precisa de ser um porta-estandarte de género da causa homo? (Isso dará azo a outro comentário muito acintoso). Love há só um, o verdadeiro, que não tem género (M/F). )
Voltando atrás e ao que interessa. É uma canção de despedida. Não é como a de Bono, um pedido de desculpas e sublimação peri-mortem. Quando se ouve só a canção, se não se estiver atento, estranha-se, mas é verdade. Aqui é o Pai quem se despede do Filho. O Pai que sobrevive à sua prole. E que no seu desgosto se despede do filho (que supomos ter a "doença-do-século-em-1992", vulgo SIDA). Desgosto, vergonha, desespero. Filho, sempre. "I guess I misdjuged love between a father and his son..."

Don't we all?




Yesterday you came to lift me up
As light as straw and brittle as a bird
Today I weigh less than a shadow on the wall
Just one more whisper of a voice unheard

Tomorrow leave the windows open
As fear grows please hold me in your arms
Won't you help me if you can to shake this anger
I need your gentle hands to keep me calm

`Cause I never thought I'd lose
I only thought I'd win
I never dreamed I'd feel
This fire beneath my skin
I can't believe you love me
I never thought you'd come
I guess I misjudged love
Between a father and his son

Things we never said come together
The hidden truth no longer haunting me
Tonight we touched on the things that were never spoken
That kind of understanding sets me free

(refrain)

sábado, outubro 25, 2008

já não é o fim do mundo como o conheciamos (marca registada)

É só uma pequena nota de rodapé, com a importân
cia que isto sempre mereceu.
Já não há buraco negro para ninguém. Nem bosão de Higgs ?!? será? para comprovar pelos tempos mais próximos.
Ao melhor estilo tuga, o CERN encravou um electrão qualquer (que não devia estar nos estudos de impacto ambiental). Conclusão: pararam o acelerador de universos paralelos.
Até novos fundos e novos electrões, claro.

sexta-feira, outubro 24, 2008

caça ao sapo



(a emissão segue dentro de momentos)
Deu-me vontade de dar cabo do centro de atendimento de clientes. " O webmaster está a actualizar os emails na sua zona". E então eu perguntei "Há mais de uma semana?" "É a informação que tenho disponível, dentro de alguns minutos a situação estará normalizada." "Mas ele está assim há uma semana..." Etc dentro dos mesmos moldes. " A minha Mãe, que é minha vizinha, consegue ver o mail dela e eu não, será mesmo do webmaster?" "..."
No outro dia telefonaram-me da EPAL porque tinham feito uma contagem bastante diferente da estimativa e queriam saber se estava tudo bem. A EPAL preocupa-se com os clientes! A EPAL não é normal! É claro que a leitura não coincidia, eu agora estou mesmo a viver em casa, por norma, gasta-se água.
Mas o Sapo, português, a dar-se ares de tão reles batráquio. Nesta era da banda larga demooora, não faz nada, desfaz ou. vai. aos. bocadinhos. mesmo. pequeninos. Eu tinha lá montes de pastas para o blog. Não sei se coxas de sapo serão boas para comer, mas parece que até de pensar me dá indigestão.
Aqui fica - o SAPO só tem é parvoíces e está pior que a ex-netcabo. Ora toma lá PT, e embrulha.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Vida Windows Vista Companhia Lda

Este post começa por ser uma reclamação, em vez de filosofar sobre as semelhanças entre a vida que nós julgamos que temos /é nossa/ levamos e a que os tios Bill /Jobs/Google e outros nos armadilharam, o que é bem verdade. Estamos cheios de apetrechos que nunca vamos usar, caminhos sem saída e nenhum plano de contingência seguro.
Mas agora reclamo. #$%%&//%$"" SAPO. Eu vi um Sapo. Era português, funcionava bem, começou com ADSL e funcionava bem, MAS ... começou com upgrades, uiiiiiiiii.
O meu "latinhas" mais velhinho (em casa da minha mãe, que também o adjectiva quando necessário) é de 2000, fez o upgrade possível, é um Pentium 3 de 1ª geração. Não é rápido, mas é seguro. Agora como a internet decidiu fazer(-se) de programas xpto pª computadores xpto, ainda ficou mais lento.
Vai daí, que pelo 13º (13º, veja-se lá) aniversário, o Sapo decidiu mudar tudo. O "latinhas" novo não se importou. O mail do Sapo parece muito arrumado. Mais do que o gmail. Mas engasga engata esverdeia, 9/10 do tempo, e pasme-se, sobretudo no PC de 2008, não abre, abre parcialmente, não envia mensagens, envia parcialmente. Não funcemina ponto.
Não estamos /estávamos/estaremos na era da técnica? Estou a preparar-me para barafustar. A PT que se cuide.

terça-feira, outubro 21, 2008

pérolas e porcos

Dos casos em que parece tudo milimetricamente perfeito, vídeo, voz, música, letra... By your side tornou-se num hino para os cuidados paliativos de doentes terminais - by your side devemos estar sempre, "na saúde e na doença" e parece-me redutor, quer para a Sade, quer para os doentes e não doentes, happilly or not ever after.
No ordinary Love fez parte da banda sonora de Proposta Indecente - quem é que recusava o Robert Redford?!- e aí passava despercebida. Mas o vídeo da noiva sereia com lágrimas de sal é lindo mesmo. Demais.



You think I'd leave your side baby?
You know me better than that
You think I'd leave down when your down on your knees?
I wouldn't do that

I'll do you right when your wrong
I-----ohhh, ohhh

If only you could see into me

oh, when your cold
I'll be there to hold you tight to me
When your on the outside baby and you can't get in
I will show you, your so much better than you know
When your lost, when your alone and you can't get back again
I will find you darling I'll bring you home

If you want to cry
I am here to dry your eyes
and in no time you'll be fine

You think I'd leave your side baby
You know me better than that
You think I'd leave you down when your down on your kness
I wouldn't do that

I'll do you right when your wrong
I-----I, ohhhh, ohhh

If only you could see into me

Oh when your cold
I'll be there
To hold you tight to me
Oh when your alone
I'l be there by your side baby
repeat 1x



I gave you all the love I got
I gave you more than I could give
I gave you love
I gave you all that I have inside
And you took my love
You took my love
Didn't I tell you
What I believe
Did somebody say that
A love like that won't last
Didn't I give you
All that I've got to give baby

I gave you all the love I got
I gave you more than I could give
I gave you love
I gave you all that I have inside
And you took my love
You took my love

I keep crying
I keep trying for you
There's nothing like you and I baby

This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love

When you came my way
You brightened every day
With your sweet smile

Didn't I tell you
What I believe
Did somebody say that
A love like that won't last
Didn't I give you
All that I've got to give baby

This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love

I keep crying
I keep trying for you
There's nothing like you and I baby

This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love

Keep trying for you
Keep crying for you
Keep flying for you
Keep flying I'm falling

I'm falling

Keep trying for you
Keep crying for you
Keep flying for you
Keep flying for you I'm falling
I'm falling

segunda-feira, outubro 20, 2008

I don´t like mondays (SHOUT)

Hoje voltei a sentir um "eu" que já não me visitava há muito. E está com vontade de ficar. O tempo passa, e até as pessoas com t de tonta aprendem.
Depois de ter feito o exame de Especialidade e de ter ficado não só "mais encartada", mas sobretudo, contente comigo própria, a coisa que ainda é director do meu ex-serviço comunicou-me que não me queria na "equipa", que procurasse outro sítio. Acolhedor, não é? O resto do ex-serviço calou. O hospital calou, a ordem calou, e fui ter àquele extraordinário regime socrático chamado "mobilidade especial".
Durante seis meses olhei para o infinito. No serviço, primeiro não me atribuíram trabalho, depois começaram a ser um bocadinho mais conscenciosos e a impedir-me activamente de qualquer tipo de actividade minimamente laboral.
Não havendo falta de Hematologistas no país inteiro (?????), fui desvinculada da função pública, a tal que não oferece subsidio de desemprego porque é suposto o emprego ser vitalício.
Deu-me uma raiva muito grande, imensa, contra aquela gente toda. Tão grande, tão grande, que só o continuar a trabalhar a recibo verde no consultório me salvou, literalmente, e me permitiu encaixar alguns golpes, durante algum tempo, com a persistência devida.
Pensava neste ano ter as primeiras férias decentes desde para aí uns 3 ou 4, onde pudesse realmente descansar e pensar, e sobretudo decidir (entretanto a saúde está como se sabe, as moscas no mesmo sítio, e o dinheiro num sítio ainda pior).
Afinal consegui sobreviver ao mês de Setembro, mas não às férias. o caminho que me preparava para tomar desapareceu, foi dinamitado, atacado por uma milícia. Ainda estou para tentar perceber (ou não) porque é que raio HOUVE RAIO.
Até chegar à posição de gatas custou um bocado. Em pé, bastante mais. Mas agora estou cá toda com um clique. E mais farta do que nunca do status e do quo, do petroil e do diz que disse, do que finge que interessa e do que não interessa mesmo nada.
Encontro colegas do liceu, sei que já temos uma baixa, um rapaz morreu com leucemia. Que agradável. A colega, ao ver-me divertida a olhar para a filha, quase que perguntou se eu não a queria levar, de graça, o que aliás, já tinha acontecido antes. Posso ser como a Angelina, tenho é que encontrar um milionário saudita.
"Estás igualzinha", dizem-me todos. Não é totalmente verdade. Este Verão começou o ataque dos cabelos brancos (o que vale é que mesmo se forem 2 ou 3 dúzias, não se notam), diminuí um nº no vestir e várias horas no dormir.
Estou a reencontrar a ferocidade natural. Adoro 2as feiras. E escolhi Shout dos Tears for Fears, versão longa, porque sim. Diz tudo. Gritar é preciso, sozinha ou com as pessoas certas. Só assim é que se tem força para nos abraçarmos e decidirmos de nós.


Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on
Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

In violent times, you shouldn't have to sell your soul
In black and white, they really really ought to know
Those one track minds that took you for a working boy
Kiss them goodbye, you shouldn't have to jump for joy
You shouldn't have to shout for joy

Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

They gave you life, and in return you gave them hell
As cold as ice, I hope we live to tell the tale
I hope we live to tell the tale

Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on
Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

Shout, shout, let it all out (let it all out)
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

And when you've taken down your guard
If I could change your mind, I'd really love to break your heart
I'd really love to break your heart

Shout, shout, let it all out
(Break your heart) these are the things I can do without
(I'd really love to break your heart) come on
I'm talking to you, come on
Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you so come on

(Guitar solo)

Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on
(They really really ought to know) Shout, shout, let it all out
(Really really ought to know) These are the things I can do without
(They really really) Come on, I'm talking to you, come on
(They really really ought to know) Shout, shout, let it all out
(I'd really love to break your heart)
These are the things I can do without
(I'd really love to break your heart)
Come on, I'm talking to you so come on
Shout, shout, let it all out, these are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on...(fade)

Há coisas que pura e simplesmente são


Isto não é uma mensagem pro ou anti verdes de ponta (peço desculpa, mas ecologistas não são). Desde tenra idade me habituei a ver a horas canónicas e até no tempo dos mais novos da televisão do estado (serviço público) documentários sobre a natureza. Lembro-me que havia um espanhol que andava sempre atrás de aves de rapina ?! Seria? Depois havia a BBC, Sir David Attenborough, a National Geographic chegou mais tarde, e finalmente com as parabólicas os canais Discovery e Odisseia.
Por isso nunca achei estranho, desde essa minha terna infância que comer e ser comido fizesse parte do ciclo natural das coisas. Aliás se tratássemos tão bem de todos e ninguém morresse, o que é que adubava as plantas?
Era uma catástrofe pior que aquela das abelhas estarem a desaparecer e só nos darem 4 anos para a (nossa) extinção.
Adiante. Em pleno zapping, parei na National Geographic para pequeníssimas minorias (RTP2), num programa interessante sobre Chitas, felinos que atingem 110km/h. O preço que pagam por serem tão aerodinâmicas é que são mais leves e não impõem respeito à restante cadeia alimentar, demasiadas vezes lhes roubam a caça, e toca a correr outra vez. Obviamente, o meu espírito e cultura de vida estão muito mais sintonizados com o fora daqui, xô, das leoas, leões e tigres (master & commander), primeiro estou eu e depois logo se vê.
Mas pronto, uma vantagem vem agarrada a uma desvantagem.
O que me deixou realmente parva é que as mães chitas são realmente muito boas caçadoras e não dão muita margem para erro (mesmo assim, há uma data de paspalhos na lista prontos a surripar-lhe o almoço). Obviamente os felinos estudam a situação.
Mãe chita mais três filhotes "adolescentes". Ela topou duas gazelas de Grant em combate (são graaaaaaandes até dizer chega e têm uns chifres malignos e pontiagudos que não devem nada ao sistema métrico).
A mãe chita decidiu-se, não sei porquê. Se eu fosse leoa sozinha, olhava para o lado, se tivesse bando, tinha muitas dúvidas; um leão sozinho não atacava e também me parece que um tigre/tigresa roídinho de fome, só em último caso e com o credo na boca.
A mãe chita não ficou como nas partidas de ténis a perceber qual seria o elo mais fraco (super estranho), atacou logo. Nem ela nem as crias tinham aparente necessidade de tão vetusta refeição. Mãe ao cachaço, teenagers ao socorro nos flancos, foram sendo cirurgicamente sacudidos.
A gazela furiosa (não há nada mais bera que um herbívoro), de cabeça baixa, investiu um bom quilómetro contra a chita agarrada a ela. Até que retirou os cornos. Foram espetados na barriga da chita ao longo de todo aquele caminho...
Fiquei estupefacta porque não me sinto privilegiada pela selecção natural, mas até eu, como felino predador raciocinava de modo a salvar as minhas riscas e as dos meus.
A mãe chita apostou demais? As chitas podem ter excesso de confiança como nós?
I believe so.

Aquelas coisas que seriam realmente maravilhosas, se tivessem sido escritas para a Volkswagen

A resposta que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal na Volkswagen. A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade. (Vamos acreditar que sim).

«Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo. Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda continuo a caminhar pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer. Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada. Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única. Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar. Já apostei correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um 'para sempre' pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente. Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração... Agora, perguntam-me num questionário, que me grita desde o papel: “ - Qual é a sua experiência?” Esta pergunta fez eco no meu cérebro. Experiência.... Experiência... Será que cultivar sorrisos é experiência? Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário: “ - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova?”

sábado, outubro 18, 2008

A vida é bela


Estranhamente, são as histórias mais "desviantes" que me cativam... a mim e aos produtores de cinema - já há calendário para o filme baseado neste livro.
É lindo o livro, não sei se o filme vai conseguir captar toda a perspectiva do mundo visto por um rapaz de 9 anos (tal como em ET, vemos tudo pelos olhos de Elliott).
Bruno tem 9 anos, uma família dir-se-ía quase funcional, embora a Mãe abuse no licor, o pai ande fardado e a irmão mais velha não lhe ligue.
Bruno vivia em Berlim e tinha avós de que gostava muito. Por motivos profissionais, a família muda-se para longe, acompanhando o pai nas novas funções.
Aí entra o Fúria, Acho-vil e as montanhas de pessoas que estão do outro lado da vedação com pijamas às riscas. E Shmuel, o rapaz-gémeo que nasceu no mesmo dia que Bruno, mas acabou do outro lado da História.
É uma história de atrocidades vivida numa primeira pessoa que se encontra na paz dos anjos e só sabe que há judeus, mas não o que são. O próprio Shmuel é tão politicamente correcto como um rapaz de 9 anos pode ser.
O resto é uma história, feita para convencer, e não para comover, todas as idades, e não mais um estilo Harry Potter.
Bruno pensa muitas vezes em passar para o outro lado, porque precisa de amigos, de pessoas, ele vê os prisioneiros famintos e exaustos como pessoas, está longe da propaganda e do assobio da raça.
Até que um dia não volta para casa. Muito mais tarde, seguimos com o pai, comandante em Acho-vil, até ao sítio da vedação que separa a superioridade ariana dos bichos, onde encontraram a roupa de Bruno. E vemos com ele o sítio por onde Bruno se esgueirou para o lado errado da Civilização. E imaginamos com ele o que aconteceu quando algumas portas se fecharam e a luz se apagou.
"Este é o fim da história de Bruno e da sua família. Claro que tudo isto aconteceu há muito tempo e nada parecido poderá voltar a acontecer.
Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos." 2006
Be. Very. Afraid.
Entretanto, agarre-se o livro, um primor.

Je suis l'ombre des chansons

O homem que era a sombra das canções.
O homem para quem cada canção era um combate, e cada combate uma canção. E canções lindas eram um combate! O estado derreado em que ele acabava de as cantar mostrava o combate bem sucedido.
Belga incorrecto, Edith Piaf disse que "Ele vai ao limite das suas forças, pela sua maneira de cantar, expressa a sua razão de viver, e, de cada vez, ele bate-nos na cara e deixa-nos estarrecidos".
Morreu aos 49 anos, depois de 5 (cinco) anos com cancro de pulmão, nos anos 70 (terá sido sorte ou supremo castigo?), nas ilhas Marquesas, Polinésia Francesa, ao pé de Paul Gauguin.



Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas (4 fois)

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas (4 fois)

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas (4 fois)

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas (4 fois)

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (4 fois)




LA VALSE À MILLE TEMPS
paroles et musique: Jacques Brel

Au premier temps de la valse
Toute seule tu souris déjà
Au premier temps de la valse
Je suis seul mais je t'aperçois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Me murmure, murmure tout bas:

REFRAIN:
Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent temps
Une valse ça s'entend
À chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au deuxième temps de la valse
On est deux tu es dans mes bras
Au deuxième temps de la valse
Nous comptons tous les deux «une, deux, trois»
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Nous fredonne, fredonne déjà:

REFRAIN

Au troisième temps de la valse
Nous valsons enfin tous les trois
Au troisième temps de la valse
Il y a toi, y a l'amour et y a moi
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Laisse enfin éclater sa joie:

REFRAIN

sexta-feira, outubro 17, 2008

Dói-me a cabeça e o Universo...

Andei à procura no santo
google de uma simples imagem que sintetizasse uma dor de cabeça. O meu monitor está desde que foi ligado está com a claridade (brightness) em 0%. E não estou sempre com dores de cabeça.
É a coisa mais desabilitante que me pode acontecer, deixo de conseguir pensar e ainda por cima continua a doer-me. A maior parte das vezes, quando há uma causa subjacente, seja febre ou hipotensão, ou hipoglicémia, chega-se lá.

Mas e quando aumenta, quando não passa, quando a luz me faz impressão, quando palpita e muda de sítio, quando prende o pescoço, quando se adormece com ela e se acorda pior?

E se vai tomando a farmacopeia e vai e volta e vai e volta. A nossa massa encefálica não é enervada para a dor (verdade). A dor é a irritação das membranas á volta do cérebro, meninges, embora nalguns casos de enxaqueca se postule que seja uma "descarga" de estilo epileptiforme.

As minhas e só minhas dores de cabeça mesmo não cumprem os critérios todos para enxaqueca. Não quer dizer que não me quisesse meter num buraco escuro e silencioso.

No entanto é um vazio dentro do corpo e uma trovoada dentro da cabeça. Ás vezes só passa com um medicamento que tem um derivado opioide fraco, a codeína (como no Vicodin do House). Pior a emenda que o soneto, no dia seguinte, não ando neste planeta de maneira nenhuma.

A pior delas todas, psicogénica. Não controlamos o que nos fez ligar a ignição e depois arde. De cansaço, de tristeza e de tantos Universos...

(demorei 2h30m a escrever estas linhas).

quinta-feira, outubro 16, 2008

Importa-se de repetir?


1) A brava selecção lusitana diz que empatou em casa, 11 contra 10, com o menino novo frango McNuggets Quim (e aquela coisa Cristiano, estava a capitão?). Estamos no bom caminho da nossa Sra do Caravaggio... E o burro sou eu?...
2) Santana Lopes é candidato a Lisboa? Outra vez? Já não basta o que fez das outras vezes enquanto não estava ocupado com outras coisas mais importantes? Se ele ganhar, eu imigro. ou isso, ou uma bomba antónia. Nem mais.
Mas eu escrevi imigro? Este homem tira-me do sério... Migro, para qualquer sítio de Portugal sem ser Felgueiras, Madeira, Allgarve ou o estádio do dragom.

quarta-feira, outubro 15, 2008


Foi muito bonita, mas tinha cá um feitio... Por isso acho que não faz mal se a fotografia passar para património mundial. Porque é a última vez que vamos lembrar coisas menos boas. O feitio.
Como ser absolutamente teimosa e não ligar nada ao que lhe diziam. Partiu uma perna, há anos, e ficou como nova, aço inoxidável.
Ficou com medo primeiro de andar sozinha e de escadas, depois de andar. Depois acomodou-se ao sofá e criou o seu mundo privado ainda mais privado, poucas vezes em consonância com o exterior. Uma noite, a meio da noite, ouvi a voz dela, acordou-me, o meu sono que é pesado como tudo. Andava a deambular pela casa às escuras e tinha caído, batido com a cabeça, talvez partido um braço e não dizia coisa com coisa.
Pensámos a mesma coisa, a minha mãe e eu - se a levamos para o Hospital, ela morre -e é uma dedução perfeitamente lógica. De início parecia ter perdido o reflexo de deglutição e estivemos em vias de lhe arranjar um soro. Mas voltou a conseguir comer papas. Ficava sonolenta, adormecia.
Acordávamo-la para o comer, e para não adormecer durante o comer. Às vezes acordava mais e pedia entaralameladamente qualquer coisa. Inventávamos comida e maneiras de ela tomar os remédios. De vez em quando tinha uma febrícula. Passaram 4 dias. Faz hoje 3 anos. Penso e espero que tenha morrido em paz, em casa, no seu quarto, com a família.

Agradeço ao Bobby McFerrin, com Amor grande



Andei à tua procura, malandro! Mas és fácil de encontrar, a tua voz é património Mundial. Hoje peço-te, canta para a Avó. Ela vai gostar e de certeza não estava à espera. Ela é muito teimosa, mas por favor, convence também a audiência a mandar-lhe um amor grande (são Austríacos, não a conheceram...). E porque não são as ausências que devem ser celebradas, tenho que pensar no dia 1 de Fevereiro o-i-o-ai; este ano teriam sido 90, próximo seriam 91, ou seja 19.

terça-feira, outubro 14, 2008

Excitação? Tradição? Reclamação...

video
É a segunda vez que um senhor bem formado e com idade para ter juízo me manda este vídeo por mail..."eles não o deixam passar nas televisões portuguesas". O problema é que não basta ser do contra, tem que se ser a favor de qualquer coisa.
Aparentemente, estes senhores da Acção Animal comparam touradas com apedrejamentos de pessoas em praça pública, tradição lusitana imemorial.
Tem piada, a primeira coisa que me lembrei foi o Quo Vadis, em que os Romanos, na sua habitual percepção para o show-business, como a TVI e agora SIC, amarravam os pobres cristãos a postes e esperavam que os touros (ou outros animais ferozes) investissem... Enfim, tradições.
Tem piada, a 2ª coisa que eu reparei foi nas pedras que caíam ao lado da vítima... pareciam de papel ou qualquer coisa mole (atenção, não se molestou nenhum ser humano na produção deste anúncio).
Tem piada, nunca vi uma tourada em que apedrejassem touros (ou já agora, touros apedrejassem pessoas...). Tooooda a gente, fruto dessa tal generosa tradição, mesmo que diga "ai que horror, touradas", grama sempre quando uma pega corre mal. É ou não é? E isso é pior para quem? Para o touro ou para os forcados quebrados?
Tem piada, a luta dos Ecologistas Salvadores que se tornaram Vegans (refeições isentas de crueldade para os animais), que se tornaram activistas contra o Milho transgénico (hão-de descobrir que as plantas também sofrem...), que se tornaram activistas contra os Zoos, pseudo-intelectuais de esquerda (sem a massa encefálica, deve ser falta de vitamina B12). Onde é que isto começou e onde é que vai parar? Onde é que está o meio termo, o consenso, a tolerância.
Está clinicamente provado, não me venham com tretas, que as crianças para crescer precisam de proteínas e gordura animal. É crueldade? Não, é a Natureza, a pirâmide alimentar, os predadores e as presas, lembram-se.
Aí para o paleolítico, se não caçássemos, estávamos lixados, e ainda por cima não tínhamos qualidades evolutivas aparentemente que nos dessem superioridade sobre outros carnívoros/omnívoros. Ah, e as obras de arte, Altamira...não interessa. Aí para o neolítico aprendemos a extorquir partido das plantas e animais em complexos capitalistas chamados agricultura e pecuária. Pois.
Para esta gente que até já foi um dia Ecologista (Eco, de economia; logis, de casa, a natureza), sublimou isto à luta de classes. Ahhhhhh, essa coisa de touradas é definitivamente tia e monárquica. Tumba. A pesca desportiva implica ter muito equipamento, é de direita. Tumba. Ser carnívoro implica McDonalds, EUA. Tumba. Desculpem? Como? Onde? Porquê?
Pequena nota breve: uma obra prima - o Velho e o Mar. Pois, Ernest Hemingway pescava, caçava, gostava de touradas e pecado capital, era americano. Mas os americanos sempre estiveram convencidos que ele era espião cubano... O Velho luta com o Espadarte uma luta de vida ou morte, sem tréguas, mas com coisas que faltam a muita gente, tomates e lealdade. Nenhum deles está em posição de vantagem. Ao contrário do que quer insinuar o anúncio.
Ao contrário da atitude de seres humanos contra seres humanos, que são tratados como coisas como lixo, como nada. Essa é que é uma longa e fascinante tradição, ainda por cima sem conotações de classe, credo ou cor política.
"O sofrimento não pode fazer parte das nossas tradições." Lavar. A. Boca. Com. Sabão. Já.

segunda-feira, outubro 13, 2008

É a Economia, estúpidos

Acho que não há palavras... este vídeo está tão bom, tão bom, que não deixa margem para explicações sobre a que ponto chegaram os sugadores de dinheiro ( e a que ponto os deixaram chegar os governos). Portugal? É uma província de Angola, portanto está a"salvo".

domingo, outubro 12, 2008

sábado, outubro 11, 2008

Nau Catrineta

Como já chove, não há problema, porque assim, ao contrário da tradição, a canção não pode invocar as torneiras dos anjos lá de cima...



It’s raining again / Supertramp

Oh, it's raining again
Oh no, my love's at an end.
Oh no, it's raining again
and you know it's hard to pretend.
Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend.
Oh no, it's raining again
Oh, will my heart never mend.

You're old enough some people say
To read the signs and walk away.
It's only time that heals the pain
And makes the sun come out again.
It's raining again
Oh no, my love's at an end.
Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend.

La, la, la, ...

C'mon you little fighter
No need to get uptighter
C'mon you little fighter
And get back up again.

It's raining again
Oh no, my love's at an end.
Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend.
Oh!Oh!

La, la, la, ...

C'mon you little fighter
No need to get uptighter
C'mon you little fighter
And get back up again
Oh, get back up again
Oh, fill your heart again ...

(It's raining, it's pouring)
(The old man is snoring)
(He went to bed and bumped his head)
(And he couldn't get up in the
morning)

sexta-feira, outubro 10, 2008

porque sim

um vídeo fantástico para uma canção fantástica; oxalá movesse montanhas e partisse paredes...




R.E.M - Everybody Hurts

When your day is long and the night,/The night is yours alone / When you're sure you've had enough of this life,/ well hang on

Don't let yourself go, 'cause everybody cries ,and everybody hurts

Sometimes...sometimes everything is wrong,/
Now it's time to sing along

If you think you've had too much of this life, / well hang on / 'Cause everybody hurts, / take comfort in your friends / Everybody hurts, / don't throw your hands, oh now, /Don't throw your hands

If you feel like you're alone, no, no, no / you're not alone / If you're on your own in this life, the days and nights are long

When you think you've had too much, of this life, to hang on / Well everybody hurts, sometimes / Everybody cries, and everybody hurts, sometimes / everybody hurts sometimes so hold on, hold on, hold on...
Everybody hurts, you are not alone...

Redactora

É suposto isto ter um dicionário que lança umas ideias ligeiramente absurdas sobre o que a gente escreve. Não funciona, oh deus blogger, o de Português.
Como escrevo directamente no teclado, a tendência para o fluir do pensamento ser acompanhado por uma profunda disgrafia nota-se. Ando à procura das gralhas. Infelizmente, não consigo retirar as dos comentários.
Acrescentei também algumas coisas ao Lado Selvagem, é daquelas coisas que está sempre a crescer dentro de nós. Muita gente odiou e fez pública a sua opinião. Eu funguei, babei, o conjunto todo. Adorei. Apesar do final infeliz e provavelmente descabido.
Os finais infelizes são admiráveis e aditivos de uma maneira altamente manipuladora. Eles não serão felizes para sempre...The End (haverá pano para mangas).
Por agora, rastreio.

quinta-feira, outubro 09, 2008

este mundo é um manicómio

mas merece ser visto e revisto e revisto e revisto. Canadá, o país silencioso das palmetas...

(ou como se as tretas da cultura são difíceis num país só com uma língua oficial, imaginem francófonos e anglófonos, que se adoram, a tentar comunicar)

Lose Yourself


É dificil  perceber nesta imagem, mas está lá o périplo todo de McCandless até à cordilheira do Alasca de que faz parte o monte Denali ou McKinley. É dificil perceber, porque á escala da América do Norte é tudo tão enorme, que até o Alasca não parece relativamente tão grande. Ao perto é ainda maior quando se começa a descobrir nos mapas e na net que entre o ponto A e o ponto B não há nada, só natureza no estado puro, o que pode ser deveras perigoso.
McCandless preparou-se durante dois anos para a grande missão. Renegou a sociedade e os seu valores materialistas, capitalistas e vários istas (tinha acabado Antropologia, ia seguir Direito) e pôs-se a caminho. Literalmente desapareceu. A família nunca mais soube dele. Foi buscá-lo ao Alasca. Andou pelo Oeste Selvagem e daí a minha pergunta, porque raios o oeste não foi suficientemente selvagem para ele, não lhe chegou?
"I need not necessarily to be strong, but to feel strong"..."...to measure yourself at lest once, to find yourself at least once in the most ancient of human conditions"

Numa vida de estudante romanceada por Tolstoi, Thoreau, Twain, Pasternak e Jack London, de quem fugia McCandless? Não tinha qualquer documento identificativo, doou o dinheiro das propinas, desenrascava-se com trabalhos temporários, à margem e como "parasita voluntário" da sociedade moderna que tanto criticava.

Queria chegar à verdadeira floresta, á verdadeira natureza, não adulterada, não contaminada, em condições semelhante às dos outros seres vivos?

Errado. Tinha uma espingarda para caçar, tinha umas sacas de arroz, tinha livros (não práticos, de filosofia e romances) e um mapa velho e puído. Nas mesmas condições primitivas, podia ter improvisado uma bússola, mas ele quis "perder-se na natureza", suspeito que para nunca mais voltar. Pergunto eu, que nunca fui a lado nenhum, porque é que não levaste toneladas de sal grosso? 2 boas aplicações - conserva o alce e derrete algum gelo. Meu, porque não te treinaste, nem pensaste que viver com a natureza é uma luta dos mais fortes e tu estavas mesmo na pontinha da lista, já com 2 anos de subnutrição em cima em vez de músculos e alegre chichinha palpitante. A gordura aquece. Não quiseste saber de caminhos. 2 anos de vadiagem e zooom, pela tundra adentro coisa pouca, só ninguém a toda a volta.
Que querias dizer, que querias encontrar? Porque antes de mais nada, no coração do viajante está o desejo de se encontrar a si próprio. O que foi que encontraste? A arte da fuga? O desejo do fim? A poeira das estrelas feita alma de gente? O Universo infinito e eu aqui um grão de areia?

O Alasca era o sítio onde podias literalmente fugir do mundo, porque a ideia que me aterrorizou muitos meses mais tarde de ter visto o filme e lido o livro, é que lá há certamente muitos sítios onde o mundo não chega e onde a palavra sozinho peca por defeito.

Isso implica uma vontade grande de perguntar à aurora boreal: será que eu existo ou és tu que existes; de olhar para o céu, no caso, na curta noite e sentir a terra a girar. Sentiste a Vida a girar? Sentiste o sentido ou a falta dele? Sentiste o norte ou o desnorte? O selvagem ou o fim? Passaste a barreira para além da qual as coisas corriqueiras deixam de fazer sentido? Tentaste sobre-viver?

Isso implica uma dúvida latente sobre a necessidade de ser, de viver, de afirmar que respiras? Será que fazia parte dos teu planos sobreviveres ao lado selvagem ou seres engolido por ele? Desde o princípio, ou quando sentiste a verdadeira relação de forças? Sentiste-te esmagado? Sentiste que não havia razão para voltar? Ou foram as acumulações de pequenos erros que alguém não treinado achou que podia suportar?

Christopher McCandless perdeu-se / libertou-se no lado selvagem. Muita gente dá demasiada importância aos erros que ele cometeu e não vê a beleza do filme e da fotografia, não sente a tristeza da descrição das etapas do livro. Porque foram cometidos realmente erros estúpidos e McCandless tinha uma vida inteira à sua espera.

Os heróis românticos são, essencialmente, estúpidos, porque não têm tempo para ser cobardes, têm pressa em chegar, em fazer, em dizer e não em pensar no melhor caminho. Têm que deixar história e obra feita, têm que conquistar e ser conquistados, deixar transbordar o coração, nem que seja até parar. Não interessa que doa e que uma incrédula família seja chamada para reconhecer o cadáver do filho 2 anos depois. Ele escreveu a sua história.

McCandless, foste um grande estúpido. O que é que tinhas de tão precioso para provar a ti mesmo? Podias ter escolhido ser poeta. As cartas de amor também são. Ridículas.

quarta-feira, outubro 08, 2008

The Great Alaskan Adventure


Into the Wild (2007), realizado por Sean Penn, baseado no livro de Jon Krakaeur e na história verdadeira de Christopher McCandless; BSO de Eddie Vedder



(em plena laboração sobre o significado do Alasca, do filme, das acções e reacções, Sarah Palin e o Lado Selvagem)

Então, concretizando um pouco sobre o Alasca. Temos a ideia que fica longe, mas quão longe? Afinal, os nossos antípodas são a Austrália e Nova Zelândia.
Imagine-se então a terra a andar na direcção inversa, ou mais simples ainda, o globo terrestre dividido em 12 meridianos, 24 horas. Quando se começa a falar de distância em horas, é porque se está mesmo longe.
Se a Austrália/Nova Zelândia entrarem num novo dia 9 a 11 horas antes de nós, só daí a mais 9 entrará o Alasca. 20 horas faz quase um dia, quase uma terra.
Apesar de não ser vizinho de nenhum outro estado americano, o 49ºestado da União é o maior de todos, sendo que os 3 que se lhe seguem somados em área não o encheriam.
E que dizer das gentes? Bem 656.000 almas naquela imensidão toda que passa o círculo polar árctico isto é, onde 6 meses por ano é noite, é pouco. É longe. É descabidamente longe. No entanto, após a Guerra da Secessão, em 1867, os EUA compraram-no á Rússia, que o tinha "descoberto" por barco um século antes (para variar, os esquimós são indígenas nunca tidos nem achados). E porquê? Metais, Yukon, Ouro. Foi lá que o tio Patinhas descobriu o primeiro milhão, lembram-se? E que o Charlot comeu os sapatos.
Hoje, tem o 5º maior PIB dos EUA. Porquê? Mudam-se os tempos... petróleo, em pipeline; não não é pelo turismo.
E depois há a Governadora que caça caribous para descontrair, candidata á vice ou presidência se ocorrer uma hecatombe global. Não há problema, ela é criacionista, arranja-nos a todos uma arca muito grande como o sr Noé até a borrasca passar. Alegadamente não sabia muito bem onde ficava a Rússia (é logo ali ao lado, minha senhora)... As grandes cidades como Anchorage e Juneau (capital federal onde só se chega por ferry) têm perto de 100.000 habitantes, as outras cidades perto de mil, o resto não sei que nome leva.
E foi assim que um jovem de Atlanta partiu à aventura da sua vida (literalmente) em 1990. Explorou o oeste dos estados unidos, subiu pelo Canadá para se encontrar com o Lado Selvagem.



Hard Sun - como o resto da banda sonora, assinada por Eddie Vedder, ganhou todos os prémios, menos o homem careca que dá por Óscar

when i walk beside her
i am the better man
when i look to leave her
i always stagger back again

once i built an ivory tower
so i could worship from above
when i climb down to be set free
she took me in again

(chorus)
there's a big
a big hard sun
beating on the big people
in the big hard world

when she comes to greet me
she is mercy at my feet
i see her inner charm
she just throws it back at me

once i dug an early grave
to find a better land
she just smiled and laughed at me
and took her rules back again

(chorus)

once i stood to lose her
and i saw what i had done
bowed down and threw away the hours
of her garden and her sun

so i tried to want her
i turned to see her weep
40 days and 40 nights
and its still coming down on me

o homem em queda

Absolutamente não se passa nada. Todos sabemos, se nos lembrarmos, que para o melhor ou para o pior, quando um presidente americano é eleito, as bolsas tremem. Ora se elas já estam em queda livre, é de esperar um terramoto de intensidade Richter superior a 9 no dia de todos os santos?
Não é que eu perceba, nem faça tenções de vir a perceber do assunto, mas que barbaridades andaram a acontecer nos últimos anos, só por ganância. É como o vício do jogo, perde-se e aposta-se mais, a casa há-de acabar por perder...Mas quais são as probabilidades quando a casa vicia as regras e é a dona do jogo?
Dar crédito a pessoas que nunca teriam hipótese de o pagar? E, no entanto, outros milhares de km mais a leste, uma pessoa estica-se empenha-se passa-se a ferro se for preciso para os srs bancos lucrarem bem.
Mas fazerem mal, pegarem nos lucros e investirem-nos nos fundos onde está escondido o subprime. E depois vêm o Marcelo falar das acções que não chegam a ser vendidas porque nunca existiram...
Isso é demais para os meus parafusos. Claramente, pure greed, mais um punhado de dólares, e pessoas suficientes a não controlar o que se passa em última análise com o dinheiro, das empresas, dos accionistas, até chegar ao contribuinte.
E vai chegar, á custa de tanta injecção de liquidez. O sistema é à prova de bala? Querem testá-lo? Bin Laden foi um profeta. Pôs gente a atirar-se do World Trade Center. Qualquer dia começam a rolar cabeças violentamente suicidadas (a menos que já nem a vergonha lhes reste, ao contrário de 1929).
Aprendi na História que os dias negros de 1929 se deveram a um sistema que não estava preparado para abarcar a quantidade de especulação do american way of life, e ao mesmo tempo começou a haver falta de matéria prima (seria da United States Steel?), que no previsível efeito em dominó levou a um crash em grande.
Agora andei no google, novas tecnologias, as teorias divergem quanto ao que aconteceu primeiro, a crise ou o crash, qual pescadinha de rabo na boca. Realmente interessará? Não se previa que os 2 acontecessem num sistema sem contingências. Nos arquivos de um grande jornal americano podemos ler as primeiras páginas desses dias de Outubro de 1929, em que se dizia que tudo ia bem, e que os grandes magnatas iam resolver a situação. Pois. Foi.
Parece que a Islândia está em falência, e nós não. O mundo vai colapsar, menos o magalhães a pedal.
O Homem, cada vez que reinventa a história, acrescenta-lhe uns requintes de mau gosto. Vide 1ª contra 2ª guerra mundial. O que haverá para reinventar agora, "1984"? O livro, agora em versão nacionalizada e real.
Big brother will watch you as you fall...

terça-feira, outubro 07, 2008

A História de Portugal, agora a cores

Aí há uns dias, uma pessoa que me parece ser sensata, atirou para o ar a seguinte frase "sabe porque é que isto anda tão mal, é por causa desses que aí há uns tempos eram chamados geração rasca". Não têm princípios, pisam toda a gente, só querem subir, subir.
A geração rasca, nome mais bera, c'est moi. Relembro o post de há algum tempo, The Sky is Falling, publicado na Máxima para aí em 2000, sobre a nova geração dos (v)intes e dos (tr)intas e, actualizando Quintas das Celebridades, 1as companhias e outras alarvidades depois, embora sobre generalizando, pois é verdade - os agora intas e quar(entas) fazem parte (ou deviam fazer) do grosso da força laboral, que a esta altura do campeonato, política e economia está numa de comei-vos uns aos outros.
A geração "rasca" teve sempre como grande mal ser desinteressada de tudo o que não desse sumo, vulgo massa. O resto do mundo não interessa se não der lucro. Ou seja, muitos de nós são seriamente atrofiados dos miolos e os hobbies que têm consistem em ganhar mais dinheiro, sonhar em ganhar mais dinheiro ou brincar com o telemóvel, gps, blackberry, PDA, aparelhagem bang e olufsen. Caros e não servem para nada. Não sabem peva sobre peva. Se for preciso, a explicação sobre uma ópera também se compra, ou sobre os impressionistas, ou sobre jazz de fusão, ou sobre a importância do franzir da sobrancelha num filme do Clint Eastwood.
Corolário, não fazem conversa, contratam alguém para a inventar por eles. Vão ao ginásio, porque mais importante que ser saudável é parecer saudável. E contemplam o infinito como um boi contempla um palácio com beatífica idiotice.
Quando crescerem, querem ser como o Paulo Teixeira Pinto, reformados com pipas de massa por muitos e muitos anos.
O que é estranho. Os "rascas" apanharam aquela transição o-senhor-caiu-da-cadeira-agora-espera-aí-vêm-os-cravos-e -vão-se - as-áfricas-mas-há -passagens-administrativas e bocas de sino e mais governos constituintes que elefantes num mini. Os entas viram a diferença, os intas como eu, nasceram no PREC e nem se lembram de quantos 25, 21 ou 28 de qualquer mês é que houve. O povo é sereno. Crescemos à sombra de uma bananeira que não aproveitámos.
Não concordo totalmente com a afirmação do princípio do post. Os fenómenos dos self made tretas pisa ao próximo e não a ti mesmo são transversais numa sociedade em crise ou desequilíbrio (coisa que a nossa nunca teve), e nós "rasquinhas" aprendemos com os bons exemplos dos mais velhos, que mal snifaram o cheiro, se puseram a andar a mil à hora para outro lado, deixando tudo vazio, sem ordem, faroeste com cunhas.
Vai melhorar? Crianças e jovens que exigem roupas de griffe e passam horas nas consolas e batem nos professores e aprendem tanto... Não me parece.
Olhe que não sôutor, olhe que não...

segunda-feira, outubro 06, 2008

Quero ser a Avó RFM do ano

Isto não é uma reclamação, é uma barbaridade. Há muitos anos que a RFM é a minha companhia pelas ruas da cidade e pelas estradas do país. Mas há algumas horas sacramentais em que preferia não estar dentro do carro. 12.30, 15.30, parece-me também que 20.30...."E já agora, vale a pena pensar nisto"... já não se importam de passar o Like a Prayer da Madonna ou um bocadinho de britney aqui e ali (passam coisas tão piores a todos os níveis).

Nessas alturas, faço um acto de caridade cristã para mim própria - mudo de estação de rádio. Se não é a pessoa que lê à padreca, é a mensagem que subliminarmente (ou não) me faz odiar a rubrica. Então com as campanhas do aborto ou quando um fait divers qualquer que saia do desvio padrão da moralidade dos senhores aparece nas notícias, há sermão (e missa pastada). E são ditas coisas perfeitamente obtusas, idiotas e chocantes. Podia processar-se a Igreja e o Vaticano.

A última moda é o crescei e multiplicai-vos, num dia comentavam que a taxa de mortalidade superou a de natalidade em Portugal, ou seja, estamos a perder população. Caramba, façam-se bebés! O Papa Prada diz que não há cabimento falar em anticoncepção dentro do casamento. Façam-se mais bebés ainda, como no tempo em que os esponsais pariam (salvo seja) 20, para talvez 4 chegarem a adultos.

Será que já repararam que a vida não está para brincadeiras, e que é precisamente no melhor interesse das crianças que estas nasçam quando forem queridas e tiverem progenitores capazes de provir com mais do que letinho da mamã enquanto houver.

E depois é aquela coisa. Machismo religioso. As mulheres estão menos férteis. Não será antes, os casais (de qualquer tipo) estão menos fecundos e indexados à euribor? Estamos todos menos férteis, desde Wall Street até à Prada.

E assim terminei com o raciocínio, teoricamente, podia ter sido mãe aos 14 anos (há 20 anos, Jesus!, que desperdício de óvulos, 240...), e menina ou menino, ou á escala industrial, se seguissem a mamã, também já tinham filhotes. Sou Avó, 'tá feito. Adolescentes, 'bute povoar o mundo, que já está muito pobrezinho de chineses e indianos.

Por amor de Deus, tenham juízo. Calem-se. Mais vale.

sábado, outubro 04, 2008

para olhar

cada Homem mata aquilo que ama, versão pronto-a-vestir
A Lenda do cavaleiro sem cabeça (Tim Burton):
o Bem e o Mal usam por vezes as vestes um do outro

Antes da próxima reclamação, que é grave, preguiça em forma de imagens para reflectir...

sexta-feira, outubro 03, 2008

caixinha de reclamações (3)


Há uma loja de decoração com nome na nossa praça, chama ÁREA, com um sinal de infinito, ou atrás ou à frente, só para se ficar a saber bem qual é, com lojas bem espalhadas por todo o país (antes chamava-se HABITAT); tenho a vaga suposição que é ou foi inglesa.

Pois por lá se passeiam a preço módicos umas esferazinhas decorativas, com um diâmetro aproximado ao meu palmo (que não é grande), com a colagem, a imitar pintura dos séc. XVII/XVIII do globo terrestre. Tudo bem, objecto bem acabado, vistoso. A curiosidade levou-me a olhar para o que lá estava desenhado -ó mente insana!

Umas ásias, américas, áfricas, açores, europas (legendas em francês). Península ibérica esfrangalhada. Espagne. Lisboa? nãããão! Seville. Le Portugal? Zéro points.

Le Portugal au 17ème/ 18ème siècle n'éxiste pas. Não é que eu já me importe pela tomada hostil da Espanha (1580-1640, ok; 2008, ok). Mas naquela altura, acho que ainda éramos relevantes... e os Açores estão lá, logo nem sequer a teoria "jangada de Pedra" versão para um país só se aplica... Nos escafodemos, pura e simplesmente, do globo terrestre. Ai Sebastião José...

Não foi só imbuída por um certo orgulho tuga ferido, mas as "bolas" estavam no primeiro andar, e deu-me uma súbita vontade de praticar arremesso (elas são leves) tendo com alvo peças quebráveis (quanto mais caras melhor), cabeças de funcionários no piso de baixo, e já agora, cabeças de todos os cretinos que lá andassem a passear, a começar por dez encestamentos no segurança da porta. Pena, serem leves, mais pesadas davam mais pontaria, estilo andebol, vólei, então basquete era uma maravilha. Já não pedia bowling, mas pronto.

quarta-feira, outubro 01, 2008

il nuovo cinema italiano

Faz bem ao coração todo e à alma também. Vários posts a desenvolver sobre uma das minhas "realidades alternativas" preferidas. Se existissem...

NUOVO CINEMA PARADISO


LA VITA E BELLA


LA TIGRE E A LA NEVE


Cumplimenti a Ennio Morricone, Nicola Piovani e Tom Waits.

just listen to the music and enjoy

Este post é mesmo só por preguiça - e bom gosto, vá lá... deixemos tudo para o google se entreter.




O objectivo é mesmo ver/ouvir e não pensar. Just feeling good, feels good.
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