Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



sexta-feira, julho 31, 2009

play Bach




Foi há uma monstruosidade de tempo, último fim de semana de Abril. É mesmo monstruoso o tempo. Choveu. Pessoas estavam vivas. Pessoas existiam (não é exactamente um sinónimo). Também fez sol.
Diz que é uma espécie de Festa da Música para pobrezinhos, porque o Berardo é que ficou com o guito do museu. Os Dias da música durante 2 anos enganaram os famintos - havia organização, basicamente, herdada da Festa.
Este ano, homenagem a Bach, tema da nossa 1ª Festa da Música em 2000, foi, não modesto, não pobrezinho, pior. Inexistiu durante um fim de semana. Porque o primum movens é levar a música às pessoas, a organização de muitos concertos, em vários locais ao mesmo tempo, para um número significativo de pessoas, é necessária e obrigatória.
Quando os voluntários acabam e ficam 3 gatos pingados, é o caos. Uma sala como o grande auditório não se enche em 5 minutos. O mestre Loussier, do alto dos seus 75 bem conservados anos devia começar às 23h de sábado, as portas abriram às 24h, o concerto começou às 00.30h...
Palavras para quê? Todos os concertos do grande auditório foram empurrando até à calamidade. Figuras como o Mário Laginha, Peter Wiselplwey (ou qualquer coisa parecida), Fazil Say e Jacques Loussier fizeram das tripas coração e pensaram em Bach, tocaram Bach, mas o público, verdadeiramente, não picou o ponto, nem esteve lá, como das outras vezes.
De notar a inolvidável presença de telemóveis, câmaras e outros que tais, a falta de miúdos com menos de 12 meses berrantes em uníssono, e a falta de miúdos birrentos em geral. Só a brigada reumatismal reforçou posições.
A entrada para os 50 anos do Play Bach foi quase ao xuto & pontapé... será preciso dizer mais?

for the boys




quinta-feira, julho 23, 2009

miles & miles

The Verve / The Drugs don't work (1997) @YouTube


Vá-se lá perceber estas criaturas. Cantam quando estão alegres e cantam quando estão tristes. E não espantam os seus males nem a voz lhes dói.
Aparentemente o sentido da musicalidade e ritmo é-nos mais intrínseco que a capacidade de falar. e estou a dar numa de racional para quê? Foi lixada, a semana. É preciso ter coração de dragão para aguentar as (novas) ausências e a maneira como vieram a acontecer.
Daí se retira que o que acontece nunca tem sentido, ou porque há faltas e erros à mistura que tornam o final tão tramado, ou porque o final desde o princípio tinha grande probabilidade de ser próximo & tramado. A conjugação "está morta" incomoda. Não fomos feitos para imaginar ausências nem espaços infinitos.
E se o que acontece deixa de significar, o que resta? A memória é significado suficiente quando são os pais a enterrar uma filha? E se, por outro lado, nos sentimos aliviados, porque se pôs um fim a uma luta que quanto mais durasse mais fazia sofrer? O egoísmo é de quem?
É terrível,e é pouco dizer isto, mas por agora basta. Dê-se lugar ao firmamento e à música. nada mais.

segunda-feira, julho 20, 2009

..."the selfish moon on its jealous sky"...

Haveria tanto para dizer... mas não tenho um mínimo de disposição. Sobre o passo pequeno feito grande etcetera, sobre o estimulo para as artes, ciências e tecnologia etcetera, sobre o computador de bordo com uma capacidade de processamento inferior ao ZX Spectrum 48K e sobre o centro de comando de Houston, muitíssimo inferior a um Blackberry.
Haveria. Quase. um mundo grande feito pequeno.
Hoje. 40 anos. A internet e um site dos states sentadas ao meu colo. Eu escrevo para o mundo que me quiser, como uma aldeia.
E no entanto, a egoísta lua roda no seu céu ciumento e o mundo tão pequeno de nós afasta-se. Ilhas, máscaras e verdete que se afastam. Nós. Pequenos. Sozinhos. Universo em expansão.
Tão longe aqui tão perto. As misérias do mundo. As misérias de nós. A pobreza de nós.
Neste dia, como em tantos outros, uns poucos de nós ficam mais pobres. E fingem, se forem poetas, loucos, bêbedos, ou qualquer mistura dos três, que não houve uma perda, ganhou-se uma estrela. Meu Deus, como esta semana de Julho será iluminada...
Que não houve uma troca, ficou uma memória viva no coração. Que a passagem é indolor para o viajante, que o destino é sempre melhor que a partida.
E no entanto ele parte-se, o coração. Para os chegados e para os conhecidos, por se partir a si e por sentir partir os outros. Tanta Lua, tanta estrela deveria haver por todos os nossos. Tolos, os nossos.
Hoje já não é dia da alunagem, é dia de partida(s) exactas e muito próximas. Palavras preferidas - morreu calmo, em paz, sem dores, sem dar por isso. Mesmo quando sabemos que não foi a ceifeira a vir à colheita, mas a falha humana ou o limite em que a pessoa doente se torna doença com pessoa.
Ninguém gostaria de mencionar o parágrafo passado mas é verdade. É com a vida que se tem de ter cuidado, e não com a morte. A morte, por defeito, só leva embora o que já não luta (ou que tem alguém a lutar firmemente por procuração) e já só procura o caminho até à estrela que há-de nascer na lembrança.
Havia de ser como nascer, feliz, mas ao contrário, não infeliz. Poucas vezes é. Deixa um vazio que as lágrimas não preenchem.
Como o mar que podia ser da tranquilidade, i wish i was a river...
(não é por nem para, é por causa de PA e AC)

to the moon and beyond



Tragam-me a Lua até ao fim da década, vociferou Kennedy. Se não fossem os americanos, seriam os russos... ou não estariam todos mais interessados nas capacidades bélicas dos foguetões como mísseis e dos satélites com espiões, do que em fazer ciência (von Braun rima com V2).
O mais incrível foi os astronautas terem cumprido o pedido num espaço de oito anos com o presidente morto e enterrado. " Não por ser fácil, mas porque sabemos que é difícil", como é que ele sabia tanto para afirmar sem parecer um soundbyte? 1969 não foi,obviamente, o último ano da década, sequer, foi 1970.
Parece que à hora de cá alunaram às 9 e tal da noite e saíram para o famoso spacewalk de madrugada. A única coisa a favor das teorias da conspiração: nos States, foi programadinho para acontecer a horas mais favoráveis a verdadeiros picos de audiência, mal comparado com os BigBs e Canal Parlamento.
Verdade, verdade, é que hoje, não chegávamos lá outra vez. Laxismo, crise, gripe A, luto pelo Michael Jackson, ou outra desculpa foleira qualquer como não posso estou no twitter.
Eu não vi. Não estive cá por ainda uns anos, a minha memória é iconográfica. E tal como no resto, se a memória do "meu passado" colectivo passou lua, o meu futuro caminha por um deserto.
Acima, um traile de um filme que estreou em Inglaterra, Moon, sobre um funcionário solitário numa base lunar...não por muito tempo. Num passado alternativo, podia ter acontecido.

terça-feira, julho 14, 2009

uma

é uma espécie de Principezinha para desiludidos da vida, solitários, esquecidos, tristes, fugidos e (talvez) desesperados. Também é um Quase Romance, não só por pesar pouco e não encher estantes, mas porque foi um romance que não aconteceu, só quase, e como nas ilustríssimas histórias de desaustinado amor assolapado, alguém tem de morrer. A principezinha. Dá honra aos mais frágeis desmaterializarem-se para um asteróide longínquo, onde haverá uma rosa e uma ovelha, transferidos para a via láctea do Sahara em jipe.

É quase triste e quase bonito de chorar, pensando num céu tão grande e tantos grãos de areia...
Mas depois mete-se a porcaria da vida pelo meio e não nos deixa fingir que somos literatura. Cada vez mais me apetece. Não sei bem se é estoirar. Mas não é bom, e cansa. Há uma semana que ando a dizer para mim "isto não aconteceu" ou "porquê, porquê, porquê"???
(esta é a minha versão contida. a minha versão gastrite a tornar-se úlcera por causa das faltas dos outros)
É ainda mais indescritível porque a amiga, para quem todas as minhas defesas estavam voluntariamente desactivadas, escolheu dar o pontapé tão cirurgicamente, tão "copycat" do Aconteceu-No-Verão-Passado, que paralisei, gelei, congelei, não sei. Se fosse possível, o coração tinha-me caído aos pés. Feliz ou infelizmente, ele tem andado demasiado ocupado para se dar ao luxo de me cair. Se fosse possível, tinha dado dois berros e discutido muito. Nunca é possível.
Neste mundo quem fala é parvo, revela-se. Quem se cala retira-se sem pio nem alarde. E não responde às chamadas em 3 telemóveis de 3 redes diferentes. E temos que tratar da custódia não partilhável de um livro meu que lhe emprestei na outra geração. Como? A palhaçada trágica é trágica mesmo com pompa e tudo. Já não se fazem amigos, desfazem-se amigos, divórcio litigioso sem palavras.
Por ser insuficiente mas necessário, os meus pensamentos deixam de caber aqui, nem sei que lhes faça ou que lhes chame. Sobrevivência não chega, mas arrastar-me na lama dos outros também não.

or is it?

quinta-feira, julho 09, 2009

você é assim

Os Amigos são aqueles que aparecem quando estamos demasiado ocupados a pensar nos nossos medos e na nossa sombra, e depois mantém o irritante e saudável costume de não se querer ir embora, apesar desse medo, apesar dessa sombra.
Não é citação, é constatação. Essa é que é essa.

sexta-feira, julho 03, 2009

última hora


Ministra da Saúde não sabe o que fazer com a gripe suína. Diz que 30-40% da população vai ter vacina. Quer dizer que deve haver orçamento para 10 pessoas. O Sócrates, o Berrardo (sim, de berrar), quem mais?
Não que alguém saiba. O ministro Pinho, seguindo a melhor tradição Angolana dos que dizem que são uma espécie de nossos donos, deu de investida na assembleia. Os touros bravos (e mansos) lusitanos levaram a mal a comparação com os deputados e o Lobby Kukuxumusu / SanFermin / Caras / VIP/ Caneças / Ribeiro Telles importou de surpresa um matador espanhol que exibe por aí duas orelhas de ex-ministro , para mitigar a afronta. Demorou 4 anos a cair do poleiro apesar de dizer mais asneiras por metro quadrado que o colega Lino. Paz às sua tripas. Venha o Javardo, quer dizer, Ministro que se segue...

quinta-feira, julho 02, 2009

diz que foi uma espécie...

... de domingo, 7 de Junho. Fui levantar o hum #$$#%"&/ cartão do cidadão de propósito para votar e não me serviu de nada. a única coisa que não está lá visivelmente escrita é o número de eleitor...
A mesa de qualquer coisa, que são aqueles pobres coitados chamados para o dever cívico de passar cadernos mofentos, na minha secção nem sequer se entendia. Entediavam-se. Não roubaram as canetas nos boletins de voto. Passeava-se na escola secundária, mau grado o vento.
Passaram carrinhas cheias de abstenção por todos os lados. E fruta cara à venda. Sem sondagens à boca das urnas. Que pena... nas autárquicas intercalares, nas outras antes, estavam lá sempre e lá repetia o meu papel. Nem isso. Fui com cara de hamster. Raiz sem dente arrancada. Tudo ok, menos o inchaço.
Depois à noite, como é costume, ganharam todos, até o Portas. A culpa toda foi só de uma pessoa, O Vital (Sassoon). Bolas, &%$#$&, estavam à espera que concordasse em mandar o Correia de Campos para a Europa, dasssssssse....Eu mandava-o, sei bem para onde, com uns mânfios da máfia ucraniana atrás. Sócrates de trombas, cordeirinho..... Bruxa feliz e crocante, bloco crocante e feliz, etc.
E finalmente, a prova cabal de que foi um dia a brincar - puseram o Ricardo Araújo Pereira como comentador. E depois ainda querem que a gente leve aquilo da gripe a sério...
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