Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



sexta-feira, julho 26, 2013

O Relatório Final (15/7)

Como é a minha 1ª campanha (como embaixadora da WOM), parece que vou concluir com o que devia ser o início: experimenta & avalia. Já conhecia o produto, porque já tinha tido a oportunidade de o testar em bolhas fruto de caminhadas complicadas e sapatos novos com mau feitio (pouca flexibilidade). 
O costume, excepto que me identifico com "cuide de si" e muito pouco com o "fascínio natural por sapatos". É difícil um par de sapatos conquistar-me; não gosto de saltos altos tipo agulha, nem completamente rasos - têm acima de tudo que respeitar os meus pés. 
Por isso aprendi a prevenir, mais que remediar. Assim, a minha experiência deste ponto de vista é muito positiva, porque os pensos compeed previnem o aparecimento de bolhas, e o stick anti-bolhas complementa muito bem essa acção. 
Nestes 17 dias em que pude participar na campanha, utilizei-os sempre que dei caminhadas maiores que o habitual e quando calcei sapatos a que não estou ainda muito habituada, ie, pouco usados, e como resultado, os meus pés estão felizes e sem bolhas. 
Acho que teria sido bom haver mais variedade de amostras (para os dedos, para a planta do pé), que deveriam ser duplas (dificilmente se faz bolhas só num pé) e que houve uma certa descoordenação com as entregas (quase 2 meses de campanha, que no meu caso foram quase só 2 semanas) e muita com as amostras (deviam ser 25, foram 9...). 
Em suma, o produto é bom e funciona; se tivessem vindo mais, mais teria sido a minha capacidade de divulgar, porque todos os que conheceram o produto ficaram satisfeitos.

(A campanha foi prorrogada até 26/7). É claro que a campanha real continua sempre.

Fotografias com os temas da campanha tiradas com o meu unsmart-phone








(a realidade seguirá dentro de momentos)

Somos os nosos pés

Quem já sofreu o resultado de uma longa (longuíssima, em horas ou em extensão) caminhada ou sentiu os pés a ficarem pequenos dentro de uns sapatos de ferro tem geralmente más recordações das bolhas que levaram os seus membros inferiores a um pousio forçado.
Os pés, para bípedes com polegares oponíveis e cérebros mais ou menos em multi-tasking, podem não parecer, mas fazem muita falta.
São os nossos pés - e não as botas -  que são feitos para andar, suportando em 3 arcadas perpendiculares o nosso peso, um passo à frente do outro. Não aprenderam a andar calçados. Isso veio depois, como as bolhas.
Os bípedes que somos ainda têm muitas dificuldades depois dos 15 meses (aproximadamente) de observação e aprendizagem do caminhar erecto. Às vezes cansa. Os couch-potatoes em que nos vamos transformando ajudam-nos a esquecer que temos pés e sem eles não vamos, literalmente, a lado nenhum.
Como não tenho que me preocupar com o product placement, acho muito bem que a CocaCola tenha declarado guerra às cadeiras.
...E para nos mexermos, temos de estar em pé. Não é uma tag-line. É uma verdade inalienável.

A Campanha Compeed fez-me experimentar, avaliar, recomendar e finalmente reportar. Já conhecia os pensos contra as bolhas, pelo que recomendar me foi perfeitamente natural. O que pude constatar e relatar de volta à WOM/embaixadores foi precisamente a recepção positiva e a boa opinião já formada àcerca das várias modalidades do produto, que não se esgotam nos sapatos de salto alto, mas também nos desportistas e nas várias localizações de pontos fracos para bolhas.
A principal mensagem foi a prevenção, uma vez que tanto os pensos como o stick podem e devem ser utilizados antes de as bolhas aparecerem. Quanto a mim, há já largos meses que não aparecem.



terça-feira, julho 16, 2013

Elogio aos pés

ELOGIO DEI PIEDI              di Erri De Luca

Perché reggono l’intero peso.
Perché sanno tenersi su appoggi e appigli minimi.
Perché sanno correre sugli scogli e neanche i cavalli lo sanno fare.
Perché portano via.
Perché sono la parte più prigioniera di un corpo incarcerato. E chi esce dopo molti anni deve imparare di nuovo a camminare in linea retta.
Perché sanno saltare, e non è colpa loro se più in alto nello scheletro non ci sono ali.
Perché sanno piantarsi nel mezzo delle strade co...
me muli e fare una siepe davanti al cancello di una fabbrica.
Perché sanno giocare con la palla e sanno nuotare.
Perché per qualche popolo pratico erano unità di misura.
Perché quelli di donna facevano friggere i versi di Pushkin.
Perché gli antichi li amavano e per prima cura di ospitalità li lavavano al viandante.
Perché sanno pregare dondolandosi davanti a un muro o ripiegati indietro da un inginocchiatoio.
Perché mai capirò come fanno a correre contando su un appoggio solo.
Perché sono allegri e sanno ballare il meraviglioso tango, il croccante tip-tap, la ruffiana tarantella.
Perché non sanno accusare e non impugnano armi.
Perché sono stati crocefissi.
Perché anche quando si vorrebbe assestarli nel sedere di qualcuno, viene scrupolo che il bersaglio non meriti l’appoggio.
Perché, come le capre, amano il sale.
Perché non hanno fretta di nascere, però poi quando arriva il punto di morire scalciano in nome del corpo contro la morte.

 

(com os devidos agradecimentos à página "una piccola ape furibonda" no facebook)

segunda-feira, julho 08, 2013

Bol(h)as para Don Draper: um estudo sociológico/antropológico


Já há algum tempo, após ter lido um artigo sobre o assunto na revista Sábado, decidi descobrir o que era o mundo Word-of-Mouth (passar a palavra)e registar-me nos embaixadores.com.
Ao longo do tempo respondi a vários inquéritos sobre diversas marcas e produtos, até que a Campanha Compeed chegou até mim. É fácil ser embaixadora de um produto que gostamos, é prático, eficaz e faz bem à saúde toda - a começar pelos pés. Se não conseguirmos sequer andar normalmente todos os dias, como podemos andar bem?
Pensei - e aconteceu -, que seria um produto bem acolhido, não só pelos "alvos" objectivos da campanha (mulheres jovens com sapatos de saltos altos ou novos), mas também para toda a gente que anda e faz bolhas: jovens, menos jovens, desportistas, caminhantes inveterados, homens e mulheres.
Surpreendeu-me também a facilidade com que a palavra passará, de boca em boca, muito mais do que a partir de redes sociais. Não sei se será apenas a minha experiência e os meus contactos que prezam mais a informação directa, ou se será um fenómeno mais global.
De qualquer maneira, vi-me embaixadora (ainda tenho um problema linguístico com embaixatriz, que foi despromovida a "mulher do embaixador"), com 15 dias para pôr uma campanha a andar e sem o material apregoado (será outro capítulo).
Começa a campanha curiosamente numa altura em que o país se desmorona um pouco mais, o mundo não está para graças e as temperaturas derretem a tensão arterial dos incautos (como eu). Parece que cada dia que escorre (literalmente, com alerta UV máximo) traz consigo uma nova calamidade.
Valham-nos ao menos os pés, os pensos, e poucas bolhas.

(do mundo e do país)



"(...)Sometimes it's like someone took a knife 
baby edgy and dull and cut a six-inch valley
through the middle of my soul

At night I wake up with the sheets soaking wet
and a freight train running through the
middle of my head
Only you, can cool my desire
Ooh ooh ooh
I'm on fire(...)"

Bruce Sprigsteen

quinta-feira, julho 04, 2013

(n)o Dia Seguinte (24/11/2012)

Penso que estou a retrair-me, a retirar-me. Estar acordada é o contrário de estar a dormir, logo estar a dormir é melhor. Como a vida, para além de moderadamente f*****da também é politicamente (e na generalidade) incorrecta, a minha raiva incorrecta não poderia ficar-se por ali.
O tempo vai passando, a dormir ou acordada, sabendo mais ou menos o que se pássa com os casos de internamento naquela estrutura já tão cinzenta que é o hospital. Antigamente, não se devia ir ao hospital por dá cá aquela palha, ainda se acabava internado e com complicações graves. Hoje pode-se ter alta ainda pior, ou ir-se desfalecendo na inércia das urgências pagas.
A minha vontade de dizer à doente directamente o que pensava teve tempo para agir um dia. O único acesso parou. Está agora internada com uma espécie de "solução final" - o fim da linha - um catéter colocado directamente numa veia central, que para além de ser último recurso quase inviabiliza hipóteses futuras. É como se a luz ao fundo do túnel tivesse sido apagada. A da vida de uma pessoa. Segundo sei, ela não está a reagir bem; simplesmente não está a regir.
De todas as invenções e maravilhas da ciência e da técnica, ainda ninguém descobriu o que se faz quando tudo é irrealizável. Na minha especialidade, chama-se "acabar com o sofrimento" - há pessoas que afogam os doentes em quimioterapia até ao fim, penso que o senso comum é se não matamos a doença, deixemos a pessoa viver o melhor que possa e quanto possa.
Ter a vida dependente de um tubo é para mim um bocado diferente, é absurdo mas é verdade. Complications. Quando (não é se) o catéter trombosar ou causar ele próprio uma trombose, não há mais rim por máquina, é imersão mais ou menos rápida no mundo da urémia. No outro mundo.
É irónico,pois é, que o destino tenha vindo oferecer à doente aquilo que de outra maneira ela pareceu ir à procura. Não consigo raciocinar sobre isso. Fiquei fora de mim com a "tentativa", mas perante este facto não tenho palavras. O meu egoismo retirou-se. O meu coração ficou encolhido e pensei "mas então, não há mais nada?".
Já me perguntaram pela face da morte. É verdade que já a vi rondar, algumas vezes com alívio, permito-me pensar, para doentes moribundos. É a sombra pelo canto do olho. É a passagem para o outro lado. Respondi a essa pergunta que pela morta há que ter respeito, ela não vem maltratar quem cá está, pura e simplesmente vem, na altura certa.
Não sei qual será a altura certa para esta doente, esperava que fosse a muitos anos daqui, mas agora, nestas circunstâncias, a vida a prazo, com tiques de austeridade ainda é mais uma surpresa para a qual não estava preparada. Mais uma vez, se ela voltar à clínica, não sei como se lidar com a situação -improvisando, como sempre.
Cada dia que acordo, sinto que nada é suficiente

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