Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



sábado, dezembro 19, 2009

stressed up

O cavaco

Sim, aquele que diz que é PR de todos os portugueses, disse que estamos, nós, tugas, "num inverno demográfico"...
Aqui não há smileys, zlangos ou tretas para acrescentar a verdadeira imagem do meu estado mental? Ora porque é que ele não tem meninos pela barriga das pernas e se cala com bolo rei de uma vez? Assim podiamos todos (os portugueses e portuguesas em extinção) chorar como deve ser.
E que tal se nos aquecessem neste inverno?
Entre mandar bocas e CO2 para o aquecimento global, mas valia, porque tudo o mais, -Roberrrrrrto, coro!- vai pró infernoooooo!

Há 5 séculos

que não tenho uma vida internautica decente. Bolas. Estou farta dos testes do facebook. As "redes sociais" ainda não chegaram à pre-adolescência, porque segundo Freud ainda não teriam chegado à fase oral... ora aí está um que morreu pela boca... e deve estar a remoer-se agora por uma nintendo wii (é assim ?) para fazer yoga - ou cantar o mamma Mia.
Jesus fucking Christ (pardon my french).

Oh pááááááá....

... preciso de uma ligação USB ao umbigo. É triste ser tão velha e tão dependente. Quando um PC anda com os bits à roda, e vemos a net a fechar-se à nossa frente, vêm os suores muito frios.
Pior que isto, só estar constipada. E não é que?

terça-feira, dezembro 08, 2009

Privação e ressaca...

... ou trabalho miserável, a quanto obrigas!
Estou a respirar fundo, já esvazio o nervo de o dia ter menos horas do que as que necessito.
De qualquer maneira, precisava de uma fuga, real, física, que implicasse esvaziar energia cinética numa qualquer forma que absorvesse socos no estômago. Os pensamentos não passam, hélas, a energia cinética, senão eu seria uma grande atleta, pugilista, serial qualquer coisa. Tudo menos o que sou. Sobre vulcões tenho muito que pensar. É suposto o meu temperamento ser vulcânico, mais que mercuriano. o livro O Amante do Vulcão de Susan Sontag está a ser uma descoberta.
Penso que cada livro (bom) que lemos, nos conduz a grandes descobertas sobre nós próprios. Se isso não acontecer, ou o livro não é bom, ou o leitor não esteve à altura.
Por isso não regresso porque em verdade não parti, fui partida em bocadinhos chamados para resolver muitas coisas. Não é um diário, mas no dia seguinte senti-lhe a falta, como um apêndice digital de mim. Como as fotografias, memórias digitais, como a música.
Sou uma descrente, contudo. Dis-beleiver. De momento, confio nas minhas ideias e naquilo que sei por intuição & experiência ( e é claro que acredito que o Natal é quando nós quisermos).
Algumas das coisas que queremos é que não são deste mundo nem de nenhum outro.
Gostava, por exemplo, de um dia em que não se falasse de gripe A ( nem de crise, nem de retoma nem de eteceteras). Um dia que não fosse fútil e cobarde como o tempo que passa.
As diligências acabaram. A minha camisola não é de ninguém, o que me leva a embirrar deveras com os salamaleques da ordem. Serei eu que não entro "na ordem"? Ajusto-me mas não me alinho. Sentir-me-ia terrivelmente se um dia deixasse de lutar.
Caos Calmo, bom nome. Volume II. Ancora.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Espírito da Paz (Divenire)

O melhor album dos Madredeus é bom para a Viagem.
Espirito da Paz. Também se pode ler ao contrário (quem precisar muito), ou em opção mesmo racional, ouvir, na caminhada, a preto e branco ou a cores.





Façam o favor de
existir
insistir
persistir
viver
(mais do que sobreviver).
Até amanhã.

suspended animation

Não vou continuar. Pelo menos não vou continuar nestes moldes. Não sou pessoa de diários, que nunca os tive, sou pessoa de comentários, mas são demasiado grandes. Não nasci para sms, tweetar, fazer "vida" no hi5 ou facebook.
Não nasci para virtual. O espaço virtual em que mais me empenhei foi este, porque é meu e me revejo, mesmo nas atitudes que já mudei, porque é honesto e catártico. Vem da cabeça e do coração.
Acontece que anda atrasado, e muito, em relação à minha realidade e me vejo impossibilitada de o por em dia, sem estar ligada a um pc 24 sobre 24 horas, o que pode ser normal para o Pacheco Pereira, mas para mim não é. 
Trabalho com computadores, a internet é uma ferramenta magnífica, mas é isso mesmo. Fica por aí. É consultável, é imprimível, mas não é real. É uma base de dados mas não é cultura, e não é companhia.
Apetece-me escrever a sério, em papel, ou em Word, que é o sucedâneo das máquinas de escrever. Tenho muito para escrever em papel, que considero, apesar de perecível, muito mais nobre e inalterável . Mais real, neste tempo em que as verdades & alternativas se sobrepõem.
Por consequência, o tempo que tenho não chega, e ainda agora postei várias mensagens incompletas que andam a vaguear há meses, porque me são importantes.
O livro Musicofilia, por exemplo, como vários livros de Italo Calvino, de que me tornei incontestável fã, e de Machado de Assis, e de Albert Camus, outros livros, de Bruce Chatwin, Mia Couto, Vinicius & Pessoa, tantos que me esquecerão nesta lista dos lidos recentemente. Música da mesma maneira, nem vale a pena referir tanta coisa boa. Os lugares que vi, portugueses de Portugal, aqui tão perto, entre Mafra e o Samouco, passando por baixo da ponte Vasco da Gama e entrando pelo leito do Tejo adentro, pronta a alcançar os flamingos quase na banda de cá, na maré baixa.
Poderia dizer - Sim, andei no fundo do Tejo, apesar de nadar como um prego e não tive que me vacinar contra todas as pragas, como o Prof. Marcelo quando decidiu numa outra encarnação tomar banho em troca de uma Câmara. E continuar uma longa história de um belo passeio, mas nunca mais acabava.
Podia contar que tenho dois afilhados e nenhum deles é da minha espécie, mas não é por isso que me sinto menos orgulhosa deles (Filipa e Carocho). Podia contar que não acredito que os animais sejam maltratados na União Zoófila, porque já lá fui visitar a Filipa várias vezes e pude ver que são cada vez mais, mas nas melhores condições possíveis, vivendo apenas de "dádivas benévolas".
Podia perguntar o que é uma dádiva benévola e desinteressada hoje em dia. Podia contar as aventuras eleitorais que não me tiraram o sono, e a certificação de que pela bússola eleitoral online não sou direita nem esquerda (absoluto eixo dos yyy) e ligeiramente a dar para o conservador (seja lá o que isso queira dizer), mais perto do Partido da Terra e mais longe do BE (julgava que o partido de que estivesse mais longe fosse aquele dos skins, hélas, até já votei no BE...). Podia dizer que as eleições e os gatos e o Cavaco foram uma grande palhaçada, só não dão é vontade de rir.
Podia dizer que tenho mais coisas em comum com o Ricardo Araújo Pereira & Paulo Portas do que desconfiava (& sobretudo com o Paulo Portas, mas nada a ver com a Sharon Stone, graças a Deus).

Ok. Eu digo esta. Somos todos tigres chineses, eu e o RAP do mesmo ano, PP com mais 12, obviamente; andámos todos, sim todos, pelo menos alguns anos no mesmo colégio -S. João de Brito; eles os dois em humanísticas, eu em saúde; tivémos os 3, sim, os três, a mesma professora de Português, que achava que os nabos de ciências não sabiam nada da disciplina, e para a qual ter que engolir um 18 deve ter sido indigesto (não sei quanto é que eles tiveram, o RAP ía um ano atrás e nem me lembro dele, tirando no anuário; do Portas ela dizia sempre o meu Paulo, mas tb nessa altura ele ainda fingia bem que era jornalista). E o PP é cinéfilo, virginiano e organizado nas ideias. Não me puxem, que já é demais, acabaram as semelhanças.

Podia dizer como vai o meu status freelancer, e discorrer àcerca da adaptação e capacidade de encaixe que é preciso ter para viver esta vida. Podia falar de netos.
Podia falar do facto de ter perdido o melhor chefe que alguma vez houve à face do mundo e arredores sem perceber porquê. Mas estou demasiado ocupada a não perder a pessoa que está por trás do chefe, que ele nunca gostou de ser.
Podia falar sobre a teoria da evolução e variações que afirmam que pelo facto de nos termos tornado sedentários e produzirmos excedentes, inventámos o capitalismo, mas isso parece-me mesmo muito idiota. Ainda hoje há caçadores/recolectores em todos nós, somos todos cro-magnons que não se emanciparam e ficaram presos nas ratoeiras que nós próprios e este "mundo moderno" tratámos de inventar.
Podia afirmar plenamente que sou uma não-alinhada, militâncias fazem-me urticária na alma e só milito pelo Sporting, agora e sempre. E que sou recolectora, principalmente, jardineira, observadora e ouvinte.
E por isso mesmo, para ter tempo para ver, ouvir, pensar e fazer, o blog ficará a partir desta data com uma prioridade diferente.
Em animação suspensa. É preciso chamar mais pessoas à vida real sem ser por meios virtuais. Por isso vou repensá-lo com calma. Para estimular e para fazer pensar, não para ser terapêutico para mim. Não haverá lista de espera, apesar de o Raul Solnado ter morrido e ter visto finalmente o Wall-E, filme da Pixar que ninguém deveria perder.
Vou deixar o meu livrodepoemas amadurecer.
Vou voltando para o regar, podar, falar com ele, recomeçar. Diferente.


burros a pão-de-ló

A primeira jovem é a Tricas, ou Tricana, tem 20 anos e uma filhota pequena, a Urze. Gosta de lamber humanos simpáticos de alto a baixo.


O segundo e jeitoso jovem tem a minha idade, e por isso escolhi-o a ele para afilhado. É o Carocho, um jumento de charme.



Eles moram no Abrigo dos Jumentos - Burricadas, no Penedo do Lexim, Mafra. Pode dizer-se que é uma espécie de Lar para Burros aposentados que de outra maneira iriam parar ao matadouro. A vida, passaram-na a trabalhar em condições que nem se colocam as máquinas que os substituíram.

Mas para eles, ao contrário do que sucede a muitos da nossa espécie, brilhou uma estrelinha da sorte quando uns malucos os salvaram ao seu destino ingrato e finalmente lhes proporcionaram uma vida de qualidade. Quem dera a muitos de nós sermos assim lembrados e tratados, mas ao menos que haja alguns burros tratados a pão de ló. Estes dois já são da família.

façam o favor...










de O lembrar a declamar o poema Liberdade, de Fernando Pessoa, pelo menos.


free falling (4/11/09)

Do meu posto estou a assistir a uma deposição. A uma declaração de mudança - tudo muda quando tudo fica na mesma, menos as cabeças que já não pensam, ficam-se na gestão por objectivos (que é uma coisa quase tão complexa como a Medicina baseada na evidência.
Rei posto, na desonra. Afunda-se no navio dos outros, obrigando-se ou obrigado. Porque para a (rara) pessoa honesta, a sombra da dúvida é insuportável, a rara pessoa honesta se retira, se desvincula, se desvirtua de uma realidade que nada tem a ver com valores mas com poderes.
Ainda não descobrimos que é este estado de viver as coisas que nos está a arruinar - a sociedade, a cultura, a saúde, a alma. Somos todos cabeças vendíveis ou vendáveis, já nem sequer importa o preço.

tribalista














o tigre imóvel


to be continued

musicofilia

 a reabrir

sábado, novembro 07, 2009

just be





E atenção, que não sáo só os não-humanos que precisam de um pouco de kindness. Assim mesmo, sem tradução & voluntária. Random acts of kindness.

terça-feira, novembro 03, 2009

nightbook



Foi pelas 23.30H, de regresso. Após um "fim de semana de música", à 6a e à 2ª. Suposto. Suposto ser bom. Suposto descansar em vez de picar o ponto. Um trabalho de profissional liberal ou consultório mais 2 freelancer? A capacidade de distinguir os "meus rebanhos" confunde-me, uns "mais rebanhos do que os outros"? Viver talvez em difentes fusos horários? Terá sido?

Após um esplendoroso Einaudi no CCB, com o seu sexteto virtuoso a fazer lembrar uma música diferente e fora do normal - para além do normal- boa música, em pleno eixo norte-sul nocturno, um pião. Ou melhor, um pião para evitar bater no carro da frente, para acabar por bater no carro da frente a menos velocidade, mas a 90º.
Depois de começar a travar, senti que não valia a pena travar a fundo, o carro não estava nas minhas mão, tirando o volante, que não agarrei obstinadamente. No momento em que vi a direcção deixar de ser o que estava à minha frente, fiz uma coisa que me surpreendeu. Fechei os olhos e só os abri com o carro parado. Foi coisa de segundos.
É mentira se disser que o senti bater no dito carro da frente, só do meu lado (lateral e dianteira esquerda, o farol funciona), porque não me lembro do choque. Lembro-me de abrir os olhos e ver se a minha Mãe estava bem e pedir-lhe desculpa. Estávamos dentro do carro, com o cinto de segurança, sem danos de maior. O alcatrão do lado da minha janela cheio de vidros partidos. O carro na perpendicular em relação ao sentido de rodagem, na faixa do meio. Carros a passar por todos os lados, a toda a pressa. Ninguém nos bateu. Terá sido apenas sorte?
As senhoras do outro carro ficaram/estavam um bocado nocaeuteadas. Não voltaram a meter-se dentro dele, embora tivesse levado uma amolgadela em cheio a meio da traseira, que impedia o porta bagagens de abrir e partiu o vidro de trás. Tão à nora estavam que estive a fazer a declaração amigável pelas duas partes, e apesar de não haver nada impeditivo, foi de reboque o Fiat e elas de táxi. O pára choques do Micra tem um karma de ir ao ar sempre do meu lado, uma vez mais cortado para não estragar o pneu.
Só queria sair dali, fazer a declaração amigável e sair dali. Um pião e chapa, carros a passar a 100km/h ou mais. "Têm a certeza que estão bem?" "Não, não temos". Das 23.30 à 01h, não vimos polícias no eixo norte-sul, bem a meio da cidade. Também não os chamámos.
A minha cabeça ainda gira lá dentro apesar de ter dormido bem e apesar de saber que não podia fazer outra coisa (excepto ter ficado de olhos abertos 5 ou 10 segundos). Não vi a vida a andar para trás, não tive medo, não fiquei assustada por mim.
Lembrei-me do caso de uma senhora amiga cujo carro parou pura e simplesmente, na A5, e se pôs na berma, à espera da assistência, com triângulo, etc. Esperou dentro do carro. Outro carro (que vinha na faixa de rodagem!) bateu-lhe a alta velocidade. Foi vista no hospital e deram-lhe alta. Ela tomava varfine. Morreu com uma hemorragia cerebral.
Em qualquer altura podia-nos ter passado um louco a ferro, mas não passou. Só queria chegar a casa e sentar-me. O joelho e a perna direita bateram na direcção por baixo do volante, o pescoço e os ombros continuam tensos, parece que o cinto fez um hematoma no braço. Não me senti puxada, nem empurrada nem batida. Senti-me a girar, sem sequer ver. Trouxemos o carro para casa e arrancámos mais um bocado do pára choque que ainda batia na roda. E foi assim ontem o 2º Nightbook.
(manifestamente pior do que o 1º)

quinta-feira, outubro 29, 2009

diz que é uma espécie de sufrágio


Deputados e autarcas da nação, ministros e funcionários da administração pública vs PT investida em fedorentos: como disse Marcelo - agora o RAP tem mais poder que eles todos juntos.
Resta é adivinhar, para além do óbvio, o que é que vai fazer com ele. Política? Já houve um que dizia que  era uma espécie de director de jornal do contra...
A N. Sra. de Fátima que nos valha, se puder (ou se quiser).

(os políticos mostraram apenas uma coisa - que são iguais a eles próprios. Ninguém que eu tivesse visto fugiu para muito melhor do que se esperava dele e virou a mesa ao RAP. Até os candidatos são uma cambada de subservientes do caraças... aquilo é mesmo o que merecemos? Socorro.)

Affirmation


Lesbian Gay Bissexual Transgender.(LGBT)

Descobri este "estilo literário" na livraria do Monumental depois de ter saído do Cine-Teatro (Grand Torino). Caí imediatamente na realidade sem Clint. O Oscar Wilde escreveu dos mais lindos contos para crianças (sem os freudianos ogres e monstros) que conheço. Virgina Woolf se fosse viva afogava-se outra vez.
Romances "homo" e romances "hetero". FGS=for god's sake... Vão-se lixar. Amor não tem identidade de género. Ou queremos ser uns mais iguais do que os outros? Vou avisando que pior que a palavra queer ou gay, que são, absolutamente, ridículas, é a palavra straight e a maneira igualmente depreciativa como a usam: "normal", "alinhado", "direito" soam mal, como uma chaga na consciência de não sermos anjos tolerantes. 
Não quero ser normal, nem alinhada, nem direita. Gosto de um bom romance, independentemente da orientação sexual e política de quem o escreveu. AH, e gosto de homens. (straights, também, de preferência).

Let the games begin...

Há um prédio a uma esquina com o nome Companhia de Seguros de Crédito (COSEC). Nunca tinha dado verdadeiramente por isso.

Sms SCUT


Sem custos para o utilizador. Não consigo utilizar linguagem sms para escrever sms's. Quanto mais, uso abreviaturas. Não consigo escrever para o blog sem editar um compêndio. É claro que isso me atrasa vários meses, sobretudo com o jet lag com que já ando. Ser freelancer tem o seu lado lixado. Mas postar em formato "sms alargado" é uma ideia. Talvez dê pª pôr a escrita mais em dia. Por enquanto, os acontecimentos não foram esmiuçados. Be prepared.

domingo, outubro 18, 2009

melhor que o Pauleta

É rádio online, é natural dos Açores, melhor até que os queijinhos da ilha todos juntes!
O Mestre fotografado frente à sua labuta.

"A Rádio Ilhas, tem, desde hoje, 8 de Setembro, a sua sede no Coliseu Micaelense. O protocolo, que visa a cedência do espaço para as instalações desta estação, na maior sala de espectáculos dos Açores, foi assinado pela Presidente da Sociedade Coliseu Micaelense, Berta Cabral, e por um dos responsáveis pela Rádio Ilhas , Mário Jorge Pacheco.
A Rádio Ilhas, cuja ideia foi concebida por Mário Jorge Pacheco e João Almeida, pretende ser um espaço único de divulgação da música, cultura e costumes açorianos e tem como público alvo as comunidades de emigrantes dos Açores espalhadas por todo o mundo. Segundo a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, que falava na qualidade de Presidente da Sociedade Coliseu Micaelense, este projecto é de louvar, porque “vem concretizar o sonho de levar às nossas comunidades de emigrantes a nossa música, a nossa cultura, as nossas tradições. Já fazia falta um projecto do género nos Açores”.
Notícas que chegam du Canadá...


Natural dos Açores, 24 horas por dia, todos os dias.

piccolissima serenata





Quando escrevi sobre o Kepa, queria indexar uns pequenos exemplos do You Tube. A tecnologia não deixou. Aqui estão hoje, música mais que as palavras.

blow up

Life does not consist mainly, or even largely, of facts and happenings. It consists mainly of the storm of thoughts that is forever blowing through one's head.
~ Mark Twain

sexta-feira, outubro 16, 2009

portugalzinho, olé 2

...e depois vem o tema "Maitê". Só mails sobre o infortúnio de uma Nação ofendida.
Ser-me-ia perfeitamente indiferente, não fosse a insistência em que fosse notícia de telejornal.
Estou-me perfeitamente nas tintas para a senhora. Quando cá vem, elogia os avós portugueses & tal. O que me choca é que isto tenha passado como laracha num programa de "senhoras", ie, num programa de pessoas que têm pouco para fazer senão ser desbocadas. E ela desculpa-se, dizendo que gozam da mesma maneira até com o Lula...
Se me interessasse, ficava indignada, porque todos estes ditos: a) dão má fama ao sexo feminino; b) não me considero ao nível do Lula, mas também não me revejo ao nível sobre o qual a Maitê terá improvisado (não vi a "obscenidade" toda, só truncada).
Mas se bem me lembro, a pobre senhora bem tentou falar português numa série qualquer, e saiu qualquer coisa pior que o Mário Soares a falar francês. Muáaaaaaaá. Para além do mais, sabemos que os brasileiros preferem que falemos bem devagar senão não nos percebem.
Se ela tentou falar e perceber português, está desfeito o equívoco. Senão, como seria possível confundir um computador portátil com uma capivara?
Desprezo, puro & simples. E muito pão com chouriço.
(ou como diria o Filipão, "e o burro sou eu?".)

portugualzinho, olé

Não pensava, nem tão pouco imaginava, que pouco tempo depois de recuperar aqueles debates sobre animais, fosse mesmo promulgada uma lei a arrasar os circos tradicionais.
Este novo lobby ANIMAL que se diz ecológico, biológico, eticamente correcto e mais não sei das quantas havia era de se espetar um chip a si próprio como potencialmente perigoso para os animais, humanidade e planeta Terra, em geral e particular. Estão a travar o 1º e quem sabe único contacto que muitas crianças têm com animais. A seguir vão atrás do Jardim Zoológico, do Badoca (que é muito pior, se formos a isso) e do Oceanário, porque estão a "inflingir stress aos habitantes ao retirá-los dos seus habitats naturais".
E se o único recurso for precisamente esse? Não é o que eles estão a fazer com os Pandas, para evitar a sua extinção? Não se tenta nesses casos desesperados a "procriação medicamente assistida" que tanta celeuma causa em quadrantes da nossa espécie? Será que alguém se impressiona ao saber que muitas espécies só se poderão salvar devido à proveta e à criação de áreas protegidas e vigiadas?
Os animais do circo estão proibidos de se reproduzir. Os tigres correm sérios riscos de extinção. São caçadores & carnívoros. Vamos salvar só as gazelas?
Lembro-me de um programa que vinha na cassete de demonstração com o ZX Spectrum (sim, o 48k). Era um estudo sobre a variação de 2 populações: coelhos e raposas. E mostrava o que acontecia se houvesse um desequilíbrio, para mais ou para menos, em cada uma delas. Os desequilíbrios naturais são corrigíveis; os humanos não, como a introdução dos coelhos na Austrália, da rã touro na América, ou, digamos, de pombais por essa Lisboa desordenada fora.
Estas medidas proibicionistas, em vez de criarem melhores condições para, tiram todas as condições de.
Estamos a ser cada vez menos exemplos de homo sapiens sapiens, cidadãos e civilizados. Deixámos de tolerar. A nossa liberdade deixou de acabar onde começa a dos outros. Passam a designar-se "animais para fins recreativos" (como se nós próprios não fôssemos animais, e para fins bem mais funestos). Cria-se para as crianças uma fossa asséptica onde sujar e tocar e experimentar já não é permitido. Resta o Magalhães e a playstation?
Para os demasiado ecologicamente correctos - lembrar que nos EUA há terrorismo pró-ambiental - uma contradição em termos, à séria é pouco; eles põe bombas, como os terroristas pro-life punham nas clínicas de abortos, a fazer lembrar aquela triste zurrapa dos transgénicos, quem precisa de ser "normalizado" somos nós.
Os animais devem voltar para o paraíso perdido da selva (mesmo que esta já não exista). Nós só precisamos deles para 3 coisas - comer, trabalhar por nós, e para diversão (sim, onde é que julgam que se enquadram os animais de companhia?)- ou seja, para serem explorados & dizimados pelos ferozes humanos.
A civilização tal como a conhecemos, baseou-se na agricultura do crescente fértil e na existência de excedentes, de modo a que pudéssemos parar, observar e pensar, e inventar maneira de preservar os pensamentos pela escrita, inventar objectos que nos tornassem a vida discretamente mais fácil. Foi assim que evoluímos, ao lado dos nossos vizinhos de outras espécies. A dita "opressão" é recente, e a sua "categorização" mais ainda.
Agora, confesso, que já não sei em que pé andamos, se mais perto da arca de Noé, ou da torre de Babel.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Grão Vasco


Foi em Julho, se a memória não me engana, ainda inserido nas Festas de Lisboa, este ano com uma iniciativa paralela (cujo nome agora me falha) sobre transumância, a decorrer no cinema São Jorge.
Quando me chegou às mãos o programa das festas, tarde e a más horas -no ano passado, tiveram a delicadeza de o mandar pelo correio a muitos munícipes sortudos; este ano tive literalmente que o rapinar em terra de camones, ie, entre a Sé e o Castelo -, vi que havia Gaiteiros de Lisboa, e mais uns que não conhecia. Um deles era o Kepa.
O Kepa é uma espécie de rei da world music aqui tão perto, que curiosamente as lojas que vendem música (Fnac, Fnac, Fnac, ou Worten) fingem desconhecer. Online e ao vivo, pela graça de Deus, é possível desfazer o equívoco. Basta ir ao You Tube, e fica-se viciado. Literalmente. Ele tem um dom. E não só. Tem pelo menos um grammy, prémios internacionais e BBC world music, mais do que a Mariza se pode ( muito humildemente) orgulhar.
Nasceu em Bilbao, país vasco - que não só troca os vês pelos bês como as gentes do norte como também tem uma facção armada que gosta de mandar espanhóis pelo ar. Toca tritikixa, que é um acordeão diatónico basco (na verdade, a capacidade de expansão do fole aproxima-o da concertina) e traz consigo um grupo variado de músicos que aproximam a música tradicional ao jazz, pop e world com todo o ritmo, respeito e bom gosto. Entre os instrumentos destaca-se também a txalaparta, que é uma espécie de enorme xilofone de madeira em que se pode ir mudando os componentes. A explicação que eu dou é insuficiente. Aquilo dá um som, um ritmo, as ripas davam para fazer bom chão e dormir em cima, são percutidas também com madeira, só visto.
O Kepa, para além de ser simpático e ter ouvido musical, já publicou vários álbuns, onde vai à procura das raízes pela Europa e América fora. Ouvem-se gaitas, que não são de foles, mas parecem, ou irlandesas, mas não são, guitarras, vozes portuguesas, tantas: Dulce Pontes, Mafalda Arnauth, João Afonso, Vitorino, Júlio Pereira, Teresa Salgueiro, e estou-me a esquecer de várias.
Falando do concerto, aqueceu (e já estava calor) & convenceu. O São Jorge podia ter vendido mais bilhetes, porque a sala é óptima para concerto (já nem me lembrava), e a parte realmente aberta ao público estava cheia (no fim até dava para o pé de dança).
Na minha fila, um homem tentava na maior filmar o concerto integral por telemóvel... É menos que meter o Rossio na rua da Betesga.
No fim, os fãs puderam apascentar a dedicação com alguns cds à venda e com uma espera pelo Kepa encalorado que fez questão de dedicar os seus álbuns em basco. Depois de árdua pesquisa consegui perceber o que já fazia ideia de estar lá escrito -mas é mesmo difícil, a escrita a a fonética são diferentes, têm vários artigos, pronomes e formas verbais conforme o número, o género, o sujeito...
E os bascos, o que têm a ver com o pastoreio? Ora, por isso é que são bascos. Enquanto os romanos se entretinham com a Pax Romana e aculturação, alguns pastores resistentes (que não a aldeia gaulesa do costume) do sul de França e norte peninsular, como semi-nómadas, mantiveram a cultura pré-romana dos celtíberos, e daí a língua basca tramada. em que a ordem sujeito, predicado, artigo etc parece completamente subvertida. A língua é pré-românica e não obedece a nenhuma das leis do latim. A musicalidade também ficou. Alguns milénios mais tarde, as vizinhas Navarra e Pamplona contribuíram para o aparecimento de outro grande fenómeno basco, que não a ETA, mas sim a Kukuxumusu.
Portanto, em basco sei dizer Euskara, Kepa JunKera, trikitixa, txalapatra, Bilbao e kukuxumusu (beijo de pulga).
Quanto ao Sr grão Vasco, espero que volte muitas vezes, porque vale mesmo a pena.


quinta-feira, outubro 08, 2009

SERÁ que

12.000 pessoas afundavam o Santana Lopes de uma vez por todas?
Estragou a Cultura, o Sporting, Lisboa, o Governo do país, o PSD, a entrada do Mourinho, e quer voltar. Ok, Pedro Granger, se te esconderes na Worten estás safo, mas tragam-me o escalpe desse homem para que não estrague mais a minha cidade. É minha, não emigro, mas não o quero a destratá-la.
Lisboa está comatosa, em grande parte estrangulada sobre si mesma. Há 100 anos, 50, 10, dez anos, era irreconhecível. E cada vez se torna mais irreconhecível, descaracterizada e sombria mesmo sob o sol radiante. Porque é minha, que nasci em São Sebastião da Pedreira, como tanta gente, não o quero. O terramoto/maremoto ao pé dele não é nada.
É lícito presumir que ele fará muito pior dado os exemplos como autarca. E que os túneis tornem Lisboa subterrânea diferente de Lisboa ao sol, e tirem Lisboa ao Tejo, deixando-a a meter água e com as fundações pombalinas ressequidas. Que não reste nada do que foi Olissiponia, nem da História do Cerco de Lisboa, porque já está por pouco tempo a capitulação dos mouros (nós, alfaces).
Se a memória não me engana foi no consulado Santana/Carmona que o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles foi demitido da CML. Então, por que diabo o MPT o apoia? Serão loiros e dondocas? Também?
Sebastião José, faz qualquer coisa. Não quero mais concertos para violoncelo de Chopin, nem no estádio de Alvalade.

sexta-feira, outubro 02, 2009

ministry of silly walks

Pela quinquagésima vez, o John Cleese estava caído. (Desta vez, já vai para algum tempo). Já tentei todos os miminhos para o poster não cair, mas deve ser mesmo por stiff upper lip - está do lado de dentro da porta do escritório (ergo, a olhar para a parede), logo não tem a visibilidade qbp um da sua espécie. E é verdade, eu embirro com o John Cleese, apesar de ter imensa piada.
(Mas ele só tem piada quando quer ter piada. O resto do tempo é só um homem muito rico, e não um rico homem.)
Isto a propósito dos Python. Pensamento profundo. O que eles tinham realmente em comum: inveja uns dos outros, para nunca se gramarem (por acaso, neste particular, parecem mulheres); acreditarem e divertirem-se com o non-sense numa breve parte das suas vidas; passarem o resto das suas vidas a ganhar dinheiro com isso.
Sinceramente, deviam ter-se dedicado à política.
(O Ricardo Araújo Pereira anda a fazer por isso)

sexta-feira, setembro 25, 2009

acerca de cidadania...

... foi por Abril / Maio que tiveram lugar estes debates. Pouca gente, penso eu, terá associado direitos dos animais a direitos dos cidadãos, e mais, direitos do Homem. Direitos e deveres.
Não é uma questão étnica nem religiosa darmos o melhor de nós próprios àqueles que mais precisam, como as crianças, os idosos e os doentes (crónicos). Não lhe chamo política nem demagogia. Chamo-lhe antes dignidade e responsabilidade social, independentemente de qualquer fronteira ou cultura.
É o que nos torna mais ou menos civilizados e, porque não dizê-lo, mais sintónicos com o que nos rodeia (o ambiente, o planeta). Os mais fracos não se abandonam ou se dizimam, protegem-se na medida do possível. "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
O mesmo se aplica aos animais ditos de "estimação", melhor dizendo, aos animais que estimamos como companheiros, e a todos os outros que ainda não colocámos em risco de extinção.
O primeiro debate tornou-se uma feira à volta de circos e touradas. Os que sim, os que não e os que também. É ridículo e risível dizer que sou contra.
Não sou particularmente apreciadora de circo (lá está o excesso de exposição), e muito menos de domadores de feras, mas eles são instituições, fazem tanto parte do nosso crescimento cultural enquanto crianças como os contos de Grimm. E as crianças adoram interagir com animais. Para elas, é a maior festa.
Quanto às touradas, apesar da falta de qualidade que aparece no agora chamado "recinto de lazer" do Campo Pequeno, gosto de ver, seria hipócrita se dissesse o contrário. Não acho que os radicais verdes tenham razão ao afastar as raízes culturais das pessoas. Não são os passos do Coliseu romano, são os ritos da paleo-Grécia de Cnossos e do Minotauro. Dava pano para mangas, se se quisesse fazer história e ciência mesmo a sério. Nem mais que não seja, gostamos de ver pelas fitas dos cavalos em marcha atrás, e pela contagem de forcados estropiados no fim das pegas.
Mas, imperturbavelmente, o sr da Animal estava lá, nos 2 debates, misturando o politicamente correcto com o sanitariamente desejado, e com uma limpeza ideológica que assentava bem ao partido nacional socialista alemão dos anos 30 (ergo, nazi).
Assim como o sr Cardinalli, com muita vontade de o esganar, o cavaleiro João Ribeiro Telles, que deveria ter sido interditado porque só deu tiros nos pés (que raio de coisa essa "os touros não sofrem", por mais metafórico que fosse?) e um veterinário com mestrado made in USA; e no 2º debate, uma tia da direcção geral de veterinária, uma espevitada veterinária da associação de veterinários municipais, e um advogado pª declamar a evidência: perante a lei, os animais são coisas, não seres vivos com direitos.
E depois ainda perguntam ao Rodrigo Guedes de Carvalho para quê tantos debates com animais, se o que interessa são as pessoas... Precisamente. É exactamente por isso.



E ainda...

Portugal no Seu Melhor (marca registada):

"Dois candidatos, do PCP e do PSD, às próximas eleições autárquicas, envolveram-se na noite passada em confrontos físicos, na Festa do Barrete, em Alcochete. A troca de acusações entre os candidatos resultou numa ida ao hospital e em seis pontos no sobrolho.
'Violência politica', é com estas palavras que o candidato agredido fala do empurrão e do murro que levou do candidato agressor. Eram 2:00 da madrugada, em plena festa taurina em Alcochete, quando 'a laranja é colhida pela foice e pelo martelo'.
Um candidato do PSD e um candidato do PCP envolveram-se em pancadaria. Cada um tem a sua versão, o comunista Jorge Giro, número cinco da lista à Câmara Municipal, revela que tem sido vítima de insultos e provocações pessoais por parte do candidato do PSD, que de acordo com Jorge Giro terá dado um encontrão entre palavras provocatórias, o que o obrigou pela primeira vez na vida a agredir fisicamente alguém.
Jorge Giro afirma que está em causa a vida pessoal e não os cargos políticos, mas Luís Proença, o candidato do PSD à Assembleia Municipal de Alcochete, nega esta versão e acrescenta que foi empurrado e não reagiu.
Levou um murro e não respondeu e, por isso, foi ao hospital levar seis pontos na cabeça, escreve o candidato no seu blog onde anuncia a desistência da candidatura.
O blog era usado como ferramenta de campanha eleitoral, com ataques à vereação comunista, que passam pelo caso Freeport."
tsf online, 13/08/09
(para melhor compreensão, foi corrigida a dezena de erros ortográficos grosseiros que esta notícia veiculada por um canal idóneo apresentava; todavia, a construção frásica/gramatical foi deixada inalterada...)
São notícias destas que fazem pensar na evolução da nossa Democracia com D grande, porte de cidadania sã e escorreita, onde a liberdade de expressão e agressão nunca serão cerceadas. Etc.

Les jeux sont faits

Últimos cartuchos sobre os temas fracturantes que verdadeiramente interessam à sociedade portuguesa e ao desencalhar do túnel sem fundo.

segunda-feira, setembro 21, 2009

algures num planeta azul, 2009 DC...

Lido em imprensa dita "séria" (hoje em dia, vale o que vale)...

# "Não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. E vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor." Lula da Silva, Presidente do Brasil

# "Na praia as crianças também me reconhecem, talvez porque pensem que sou uma Barbie grande por ser loira." Lili Caneças, socialite com botox aprendiz de Barbie no Marés Vivas

# "Se um dia tiver de escolher uma única peça da minha colecção, é melhor dar-me um tiro nos cornos." Joe Berardo, Diz que é uma espécie de Empresário

como dizia o outro, tudo está bem quando acaba bem
ponham o Lula a ensinar o Cavaco,
a Barbie, perdão, Lili, a ensinar as Santanetes que Cascais é uma freguesia de Lisboa,
e não é preciso dizer onde metia as obras do Joe

quinta-feira, setembro 17, 2009

acribia

Acribia = sf, estilo preciso, rigoroso. (Dicionário Lello Popular)

Este substantivo tem que ser purgado quanto antes, hoje, se possível. Akribie. Segundo me foi contado, é uma palavra alemã, encontrada ao calhas num dicionário, que soava bem e cujo significado era coerente com Kant.
Durante dois anos, penso eu, embora não tenha a certeza exacta, akribie foi co-editora deste blog. Não escreveu muito. Nesse mesmo tempo fui co-editora do blog dela. Escrevi um bocado. Mas senti-me sempre intrusiva, porque ela não utilizou o meu sequer para mandar umas bocas. Numa onda de solidariedade, fundámos um blog juntas, o "descoroçoadas anónimas". Não desenvolveu. Nem chegámos ao logótipo para a t-shirt.
Podia dizer que foi por várias e diversas razões que patrícia se retirou de amuos, akribie em resposta, desapareceu de livrodepoemas e bloodless medicine, e patrícia carregou no botão eliminar de descoroçoadas. Mas não foi. Não foi uma cena de miúdas, que gostam de partir a cara uma à outra, puxar cabelos, arremessar compêndios de "donas de casa desesperadas" e manolos de "o sexo e a cidade".
Foi assim: "(...) horário muito complicado não consigo ser a amiga que precisas." e "Tenho pena, mas creio que é inegável que não consigo dar-te o apoio que precisas". Por SMS. E depois, Log Out.
Posso ser coerentemente estúpida, mas agora é assim que os amigos se demitem e raspam, dão à sola, ciao? Já dei largas à minha indignação, mas fartei-me depressa. Comigo, being bitchy não pega. Sobretudo quando a vizinha da frente dela estava na fase terminal de um cancro de pulmão. Des-larguei.
Ela sabe que eu sei que ela sabe que eu sei, que o que ela fez foi uma grande filha da ***ice, na pior altura, recorrendo aos métodos, já não originais, a que eu seria mais sensível (SMS FOR GODI SAKE, como diziam numa telenovela). Depois de passado o período de fúria & etc, não deixei de perguntar a mim mesma, "mas isto é ser amiga? foi alguma vez ela minha amiga? ou esteve a curtir o tempo todo com a minha fossa?". Deu-lhe é certo, para quase todo o Verão, Outono e Inverno, entradas do novo ano e por aí fora. Será que, por necessidade, fui incapaz de distinguir uma verdadeira amizade de uma cusca hiperactiva?
Para mais, conhecia na posição de médica/doente, já lá vai mais tempo. Noutras circunstâncias, talvez nunca nos tivéssemos encontrado ou talvez nos achássemos desinteressantes qbp. Ela gosta de nightadas, eu não. Ela é de Letras, eu sou de Ciências, coisas assim. E a Hello Kitty. Disfarçada por uma janela de alguma superficialidade, pensei que tinha encontrado a pessoa que vivia lá dentro. Mas o que é certo, é que no fim de tudo, descobri que nem sei o nome do pai dela.
Toda a gente tem pontos fracos & fortes, traumas digeridos e por digerir. Nunca me considerei na posição de julgar uma pessoa por não pensar exactamente como ela. Aliás, perante um acontecimento, há sempre 2 versões: a nossa, e a dos outros. Sabendo que nenhuma delas costuma ser completamente consentânea com o assunto, a mim não me custa nem me choca, que a "virtude" esteja algures no meio do caminho. Não obsta, duas visões diferentes podem ter uma aproximação. Pensava eu um dia. Pois. Como tudo.
É torpe, vil & degradante, esperar qualquer coisa dos outros e sair isto. É que já não é esperar muito, no caso, era só que estivesse lá e que ouvisse se pudesse. E sai-me isto. À laia de despacha.
Numa amizade, o médico é sempre o médico, quer quando os amigos precisam, quer quando lhe dão com os pés. Que se recomponha, mais aos problemas dos outros que carrega por defeito/feitio. Deixou de ter piada. Deixou de ser light? Deixou.
Sobrou uma breve contenda de blogs o meu-o teu-o nosso e uma curta disputa sobre a custódia de um livro emprestado, praticamente muda e sem troca de palavras. Deve ser isto o "Divórcio na Hora". Devo ter-me enganado no sítio, isto não é vida, é o hi5 ou o facebook, descartável.
Gostava que não tivesse acontecido, mas já não tenho paciência, idade, ou vontade de levar desaforos destes para casa.
Estilo preciso e rigoroso. Finito.

esmiuçar os sufrágios (1)

Decisão 1 (sufragada): começar a por as bugigangas em ordem - no blog. A lista de espera é maior que a do tempo do Durão Barroso e da tanga.
As bugigangas reais já estão com prazer a ser postas em ordem. Implicam que use o computador e a net em férias... Pois, ninguém diz que o exemplo é bom. Depois de uma boa semana em síndrome de privação, em que a banda larga móvel regrediu aos tempos do modem da telepac a 56kb/s, posso firmemente declarar que sobrevivi (que #%"#()&$" de país é este onde há sítios com pouca/nenhuma rede móvel a menos de 30 km de Lisboa... shhhhhhhh não é para espalhar este estado puro, se já agora viesse acompanhado de insonorização contra aviões).
O chato é que vou pensando nos atrasados. Tenho que me redimir e coiso. Aliás, é altura boa para promessas - parole, parole. E ainda estou de férias. Deve ser a enésima vez que digo isto da redenção, faço uma lista, etc.
O que realmente me espantou (!!!!!!!) foi ver que na minha "ausência" o nº de visitantes... n-uplicou... Caramba, deve ser erro de programa ou coisa. Deve haver alguém no blogger que me adora.

sábado, setembro 12, 2009

desgraça pouca é bobagem

Palavra de honra que não sei o que me deu, uma soneira, preguicite, ronha aguda... mas é verdade, vendo-me servida pelo serviço público de televisão (4 canaizinhos apenas), contra a manifesta natureza e encanto rurais (como em oposição a urbanos & foleiraços), servi-me dele por apenas 2 momentos.
No 1º tive a sorte de apanhar no Canal 2, a alternativa à alternativa, o ER, Serviço de Urgência, já aqui gabado, na penúltima temporada. Acrescento que nunca vi a série regularmente com o George Clooney (pª aí até saison 4), que era muito menos guapo, e só a entrosei para aí na 8ª/9ª saison (o Luka, a recitar Hamlet, em Croata...).
No 2º, hoje, avisada até, apanhei O Debate. É triste quando a nossa escolha se rescindirá ao "mal menor", que é o que tem sido sempre. Nunca há um bem, há um menos mau se relativizarmos as coisas.
O quase-engenheiro-Sócrates portou-se como um biltre (peço desculpa aos biltres), não dizendo uma palavra que não fosse oca e destinada a cravar ferros na adversária. Esteve no seu pior. Acredita piamente que os portugueses são como ele / acreditam no que ele nem chega a prometer, porque, concretamente, o homem (?) é um buraco negro. Para buraco sem fundo, Portugal basta-se.
A soutoura Azedóleite acaba por se mostrar a bruxa tia-avó do Sporting do costume, mas que não deixa cair os parentes na lama, demonstra que está muitos níveis acima do nosso 1º, e que até é capaz de saber alguma coisa. Numa palavra. Bruxa, com consistência vs aldrabão enxovalhador. Bruxa ganha por knock out.
Lá está, ganha, se eu tivesse mesmo que ser forçada a escolher entre um e outro. O pior, soutoura Azeda, é que apesar de ter mudado a cor das nuances, ainda reconheço, pelo menos, a Ministra da Educação e a Ministra das Finanças de pessoas que..., em tempos de... .
O nosso 1º que até filou o nome a um filosofo é uma nulidade. Nós não precisamos de uma nulidade menor, precisamos é de sair do sítio em que orgulhosamente nos sentámos, para ai há uns 500 anos, à espera de notícias da Índia.

domingo, agosto 23, 2009

shummertime


este rio que eu canto

Ai, ai, esta vai ser curta mas boa. Junho, CCB. 2 noites seguidas de aplausos de pé. Camané acompanhado por Mário Laginha, Orquestra Metropolitana de Lisboa, e o seu trio do costume.
O pobre Laginha vinha de pé engessado, de modo que não pode contorcer-se ao piano como é costume, mas a música foi uma maravilha. Música e letra, por acaso. Chamam ao Camané "príncipe do fado", dizem que é ele o herdeiro da Amália.
Discordo por completo:
1º, a monarquia está em desuso, ele é bom porque tem boa voz, dó de peito & ainda... belíssimo trio de acompanhantes, sendo que não deve ser comum um contrabaixo no fado... uma escolha dedicada de letras e músicas.
2º ele não é fadista, ele canta bem qualquer coisa e tem um timbre particular (Humanos, António Variações, Xutos!); correndo o risco de ser chacinada em praça pública -ah brandos costumes, poucas ofensas...- digo que o Variações foi um grande fadista. Verdade! Que dizem as suas letras se não fado?
3º não tenho respeito nenhum pela Amália, pelo simples facto de nunca a ter ouvido cantar. Ponto. Aquilo já não era cantar. Quando era nova cantava, mas onde é que está o superlativo da coisa? Melhor que todos os outros fadistas da mesma geração? Não me parece...
4º isso desfaz os supostos herdeiros, que têm a sua própria atitude e não se convêm com o antigamente.
Bem sei que é ano de homenagem (fúnebre), 10 anos sem Amália...para aproveitar a boleia da candidatura do Fado à UNESCO. Os cámones gostam, os nacionais é conforme. Eu gosto de alguns intérpretes, de outros não, tanto no masculino com no feminino e o Camané tem tudo a seu favor. Não precisa de ser o capo de tutti capi. Basta cantar.
O fado é um poema de desespero em que alguém pegou, lembrando-se dos velhos minaretes do Al-Andaluz, para cantar os seus males e para, chorando, não os espantar.

balzaquiana-do-meio



Estou a tentar não perder demasiado o fio às coisas sobre as quais queria escrever. Para além do tempo e da disponibilidade, agora são as mão que não deixam. E depois dizem que a idade não traz maleitas...só se for a mental, pq os intas infelizmente notam bem a diferença em relação aos intes, gandas malucos.

Até serve de mote, por acaso, ao sr Balzac. Confesso que o grosso da minha leitura não deve ser francófona, embora me tenha esforçado por ler muito em francês quando fiz o dito curso. Mas ler em francês não quer dizer que o autor seja francês, n'est-ce pas? Também devido à paixão familiar por Tintim e Astérix, não posso dizer que não tivesse entrado em contacto com... belgas francófonos (e Brel, patati, patatá...) e com A Obra O Principezinho. Não sou da geração Condessa de Ségur, mas apanhei-a felizmente em banda desenhada - desconfio que se fosse de outra maneira, tirando o Cadichon, tinha sido demasiado o xarope. E as incontornáveis Cartas do Meu Moínho.

Chega-se assim à conclusão de que não passei a minha juventude a ler aquele imenso historial servido a prestações que é chique dizer que se leu, "À procura do Tempo Perdido" de Proust. Só o título diz tudo. É difícil investir numa "enciclopédia" em dez volumes, quando há muito mais para fazer e para ler. E já fico aborrecida quando leio um livro que não gosto, acho que fui enganada e andei a perder o meu tempo - note-se bem que sou eu que insisto em ler a zurrapa até ao fim, com a esperança de uma pontinha que se lhe pegue. Daí que deteste o Murakami.
Não conhecia muito de Balzac, tirando que ele era um bom cronista do seu tempo. Andei avidamente á procura de A Mulher de 30 anos.

Será preciso repetir aquilo da FNAC, dos editores, distribuidores etc? Deixaram acabar a única edição portuguesa. Então, fui ao amazon.fr e comprei a edição de bolso. Tout simple. Nem a FNAC portuguesa tem livros em francês sobre autores franceses... Bem, a livraria internacional é um escândalo de disparates. Para encontrar alguns livros em espanhol foi um desastre (e acabei com um punhado de Nerudas, Llorcas e Garcia Marquez, que original).

Estava a meio da leitura em francês, quando aparece na Worten, mais uma vez agradecimentos ao Belmiro, uma nova edição a preço de estalo (vulgo, para as massas, como as outras edições do Continente - Portugueses, Mark Twain, Sherlock Holmes, Steinbeck, Camus e Hemingway a preços módicos, 4 ou 5€. Certo é que os livros não se desfazem e a tradução é boa (ao contrário das Holdings da escrita, que agora editam livros cheios de compassos que haviam de ser bússolas...)

Balzac é, na realidade, um bom cronista do seu tempo, que gosta de esmiuçar e esmigalhar os gostos da aristrocracia da época (não sei se a burguesia o interessava), e faz o possível por torturar a sua pseudo-heroína, justamente por não passar de uma coquete, ou seja, não pode ter um caso feliz (nem chega a "um quarto de romance" em resposta ao quase romance de MST) e definitivamente não pode ter uma morte sensível, tuberculosa, genial. Tem que morrer a ver historiazinhas a repetir-se, velha e quebrada -aos 50 já se é velha e quebrada...

A "mulher balzaquiana" vem na wikipedia, os brasileiros adoram esta expressão! Desconhecia o lado erudito do país irmão.
Balzac não gosta delas tenrinhas e de pouca idade, porque são honestas mas ignorantes, acima de tudo chateiam (ie, não desgrudam), e têm aquela triste ideia de "se apaixonar". Aos 30 anos (em 1800 e tal) já estão todas casadas menos as tias que foram para o convento, logo, são todas aproveitáveis. Estou a ser mázinha. Não, estou a aplicar o ponto de vista masculino!
Algumas delas são aproveitáveis, interessantes, inteligentes, já sabem que a vida não são rosas e sonhos (e geralmente estão tão fartas do marido como vice-versa), poderão ser ainda mais bonitas do que quando demasiado jovens, embora vestindo-se com recato mas sugerindo algo mais na sua simplicidade elaborada. Finalmente, Balzac estava apanhado por mulheres de 30 anos pequeninas, mas bem feitas, de longos cabelos escuros e olhos escuros (sempre fugiu ao cânone renascentista), generoso decote e belo pescoço (o homem passava-se por pescoços...).
Assim temos que Julie, a pobre coitada, aos 30 anos era magnífica (por fora, por dentro roía-se de penas) e o candidato Charles de qualquer coisa, de 30 anos também, era um garoto. Acabou-se o feminismo, pas de question. E então à desgraçada que passar dos trinta e chegar aos cinquenta já não lhe arranca um único elogio. Está visto que passou de prazo.

Por isso tenho pena que Balzac tenha dado um nome inadequado a uma quasi-comédia quasi melodrama de costumes para meter a sua farpa na sociedade e contar toda a história de França de permeio, e deixe tão pouco tempo para Julie ser uma pessoa real, em vez de um amontoado de equívocos do princípio ao fim. 30 anos, sim, ela teve-os, mas por muito poucas páginas. E não me parece que tenha sido uma experiência fascinante.

Se Balzac era o escritor das mulheres, havia ainda muito de tradicional entrosado nos seus juízos, pelo menos neste livro em particular. Não gostei de Julie, logo isso tira-lhe muito a graça. Não nego que escreva bem e tenha bom gosto nas senhoras de 30 anos, mas para as miúdas de trinta e tal, sabe ridiculamente a pouco.

quinta-feira, agosto 20, 2009

actos, palavras & omissões

Beautiful / Elvis Costello feat Gregory House @ YouTube



Dear God / Sarah Maclachlan @ YouTube (lyrics)



Somos belos, não acreditamos totalmente em Deus, mas Ele persegue-nos - ou nós a Ele?

Ou melhor ainda, a nós mesmos. Let us grieve, and sing. Debaixo da árvore da Ciência do Bem e do Mal que inventamos todos os dias. E acordamos.
(d 365+1)

quarta-feira, agosto 19, 2009

translacção, 1

Kip's Lights - cena de o Doente Inglês @ Youtube


O Doente Inglês já foi há tanto tempo... Frase estranha, como pode um filme "ser" ou "ter sido"?
Resposta, se nós o tivermos, mais que apenas visto, ouvido e sentido. Teve a oportunidade de juntar um ensemble que foi mais que a soma das partes - o livro, vencedor do Booker é claramente inferior - a música, clássica, dos anos 30, de Gabriel Yared, mistura-se muito bem; o décor, Norte de África, Itália, grandes planos aéreos (África Minha), a luz, a fotografia, a montagem; os contextos, pessoas que têm uma história própria para além da guerra, afectada ou afectável, o doente, que pode não ser inglês, e sobrevive à custa de morfina enquanto aguentar as suas próprias memórias; a enfermeira que toca piano, a quem todos morrem; os objectos de afecto que são secretamente desesperados (no livro, o Kip também morre).
O par contudo, em descontínuo temporal, é Laszlo/Hanna (Fiennes/Binoche). São eles que sofrem por aquilo que não conseguiram evitar. Esta cena do filme em que Kip arranja uma maneira "radical" para Hanna apreciar os frescos italianos é divina e devia ser vista em modo fullscreen, às escuras. É absoluta poesia. O conjunto todo é. Marcou-me numa altura importante, estava a passar dos anos básicos para os clínicos na Faculdade, estava quase com o Proficiency do Cambridge, conhecia pessoas novas, e chorei chorei chorei chorei absolutamente baba e ranho com este filme. Comprei logo o CD com a banda sonora original, ouvi ouvi ouvi, sei lá, é linda.
Pensar no filme na história, nas personagens, deixa-me logo de canto do olho húmido. E ver agora, sim agora, o Ralph Fiennes tão...novinho. Mais novinho só na Lista de Schindler a fazer de encarnação do mal, mas tão bem. Era nessa altura mais novo do que eu sou agora. Suponho que n' O Doente Inglês deveria ter a minha idade. Aquele timbre de voz é inalterável, mas por exemplo, n' O Fiel Jardineiro está ainda melhor, benzó Deus, há gente comó vinho do Porto. (A administradora do blog vai desviar-se do assunto principal e suspirar, 'Ah, bonzão...' e logo de seguida acrescentar, muito bem acompanhado pela Juliette Binoche).
O assunto é a memória, ou os recantos em que ela se perde quando lhe dão asas? No meio de tanta tragédia somada, não nascerá nada mais que a tag line do filme ("in memory, love lives forever")? Acho que sim, o final de um bom filme é sempre aberto qbp a nossa interpretação pessoal. Nascerá tudo o que nós quisermos.
Por isso faz tão bem ver e recordar filmes assim.


É como se o tempo nos fizesse mais espertos. É como quando estamos mais ocupados é que conseguimos resolver mais coisas. É como se tivesse que mudar tudo de sítio para chegar de novo ao princípio, mesmo que o princípio seja completamente diferente, mesmo que o princípio seja completamente igual. É começar.
(+365)

segunda-feira, agosto 17, 2009

pequenos tesouros






Não ocupam espaço na estante e a lombada (fina) gasta-se. Mas são bons. A Fnac, numa das suas ideias ribombantes, não para por portugueses a alfabetizarem-se, mas para dar cabo do stock, vendeu-os na sua feira do livro pela módica quantia de 1,5€ ou 5 a 5€.
As coisas boas são maneirinhas e não têm preço, tal como estes livros da Quasi. Henry James, Thoreau, os russos do costume que só conhecemos daquelas sagas em 40 volumes, com pequenos contos extraordinários.
Tomando uma frase de empréstimo, " a beleza não está nos olhos de quem vê, mas no coração de quem a tem", acrescento também o prazer de ler estes pequenos tesouros que passam tão despercebidos aos leitores & editoras portuguesas.

diário mínimo

Há uma mudança. No subtítulo.
Na primeira encarnação, a frase não tinha pontuação, aparecia tal qual como citada pelo John Lennon (entretanto, parece que um grupo de fervorosos crentes brasileiros o designou como reencarnação de Satã - uma de várias -, que insultou o altíssimo ao declarar que os Beatles eram mais conhecidos / mais importantes / qualquer coisa como isto, que Deus).
Depois apareceu o Tim Robbins pensativo, depois de um dia a trabalhar no telhado da prisão de Shawshank, Nova Inglaterra, e achei interessante passar o tom de declarativo para interrogativo.
Entretanto, o tempo passou, uma constante (variável) cosmológica tão importante como a Lili Caneças e, se é verdade que o que não nos mata nos faz mais fortes, ou que com a idade há-de vir inexoravelmente mais experiência (pelo menos para mandar bocas), re-institucionalizei o "About my blog". Agora é afirmativo. E na afirmação acaba por ceder, não ao acaso nem ao planeado, antes à sua suprema mistura, como claras em castelo, qbp.

sexta-feira, agosto 14, 2009

la p'tite danseuse

Queria ser bailarina, é sonho de menina, com laços e caracóis

mas também queria ser "buga", sonho que, confessa, não conseguiu atingir

a Avó Palmira, de olhar enviesado estilo Gioconda (está a olhar para nós de qualquer lado que estejamos), e ela, grandes laçarotes, de frente para a alma do fotógrafo.

Não sei que idade teria, sinceramente terei de lhe perguntar, talvez 3 anos?

e Mãe, digo-te eu,
isto é amor.
Assim de repente, andar tantos anos (em verdade a memória é a única máquina do tempo que possuímos, apesar de não nos parecer que consiga andar para o futuro)... De tudo o que acontece, de tudo o que pode ser fabricado, irado, inventado, baralhado e desaustinado (este post não foi escrito neste dia nem a esta hora, a que tu nasceste, cada 365 dias e 6h), há o que passa, e há o que fica. Somos muito parecidas, em muitos aspectos, eu sei.
Mais do que tudo, e aqui está o verdadeiro elogio que precisa de uma certa maturidade para ser sério, se te conhecesse e não fosses da minha família, absolutamente nenhum parentesco (livre de hormonas, ferormonas e instinto maternal), gostava de ti à mesma, sei-o intrinsecamente, no caso de por coincidência não teres sido tu a educar-me e a dar-me o exemplo, eu saísse tal qual como sou.
Engraçávamos à mesma, pronto. Não ia ser fácil, porque te manténs muito à defesa com desconhecidos, embora afável. Mas se nos conhecêssemos, eu cutucava o teu lado felino com o meu lado felino. O meu lado felino é bastante tonto, mas muitíssimo eficaz. Eu sou dos gatos desbocados que se chegam e pedem festas, se vêem que o ambiente é propício, mas que também gostam que as festas sejam terapia do pêlo para quem as dá, tanto quanto gosto de passar a mão pelo costado do felino alheio. Haverá melhor spa do que spa com gato?
Isto sim, é qualidade de vida.
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