Pedras Rolantes

"A vida é aquilo que acontece enquanto estás demasiado ocupado a fazer outros planos" John Lennon



"You can't always get what you want, but sometimes, yeah just sometimes, you can get what you need" The Rolling Stones



quinta-feira, abril 30, 2009

quarta-feira, abril 29, 2009

três cientos

Tem nome, H1N1, o bicho do momento a encobrir o outro bicho papão.

Parece-me que para aí num ano cheguei às cien, às dos cientos e às trezentas. Noutra moeda, dava para abrir uma loja. Agora não há nada por 300$=1,5€. Nada de importante e indispensável, pelo menos. A tal deflação (que não existe, ou existe?) que era suposto fazer descer os preços e não aumentar os ladrões até agora o que fez foi empacotar 3 livros a 10€ (Tabbuchi + Rushdie + outro qualquer), a fingir que a cultura está mais leve. Está é tão light que desaparece. É mau sinal quando a FNAC em tempo de rebajas anunciadas está cheia cheia, mas não é de pessoas.
É mau sinal quando percebemos quanto andamos a ser roubados, quando as "condições macro-económicas" são favoráveis. É fazer a diferença entre Cds e Dvds que de 20€ passam para 2€ (pois, pois, é só para escoar o produto e estão a perder dinheiro). É mau sinal quando os roubos passam do dinheiro líquido (dependências bancárias) para o hipotético (apontar armas de fogo aos funcionários dos CTT? Violar correspondência à procura de cheques "não há ordem"?
Eu quero descobrir a que planeta pertenço.

segunda-feira, abril 27, 2009

Hoje há febras

Primeiro era nas aves, o nosso velho amigo H5N1, lembram-se, tanto avídeo que foi à vida, por um bem maior, isto é, nós. Agora está outra vez tudo tarado com outro fait-divers. A gripe dos porcos. Coitados. E coitados dos Mexicanos.
Mas quando é que estas agências internacionais, que era suposto terem um pensamento minimamente capaz e científico, como a OMS, param de ser histéricas?
É preciso conter a doença no México. Separar pessoas e porcos. Os problemas começam sempre em sítios onde o saneamento básico é mentira; curiosamente, essa parte - a que não convém dizer ou ouvir-, omitem sempre.
Não é dizer "está a chegar, está a chegar, é desta, oooooh". É alarmista, é estúpido, é obsceno. No século XX houve, como nos anteriores, pandemias de gripe. Nos anteriores, contudo, falava-se de peste, cólera, tuberculose, varicela, varíola, mais uma resma de coisas más. As pandemias de gripe já são mais "modernas" e elaboradas. Porque a gripe não se cura. A cólera também não, trata-se.
Mas com os padrões modificados de tratamento e vacinação das mais temidas (?) doenças infecciosas, pode definir-se um padrão, estilo, não há epidemia à X tempo, logo está vir aí a próxima.
E atiram-se aos priões, às aves e agora aos porcos. A doença é transmissível pelo ar entre porcos e pessoas. Não entre pessoas. Por consequência, era preciso que toda a gente tivesse um porco dentro de casa. Desinformações deste tamanho são irresponsáveis.
Depois põem-se com as mutações, e as mutações blabla. O H5N1 mutou, até agora? Para se tornar transmissível entre humanos? Não é muito mais verossímil que um vírus da gripe humana, pouco virulento até determinada altura, adquira uma mutação para se tornar muito mais bera. A isto chama-se SE-LEC-ÇÃO NA-TU-RAL... Darwin, anyone? Ou somos agora apologistas do Noé?
O piorzinho da situação é que este ponto fundamental quer dizer que não podemos prever qual o vírus que vai ser "eleito", nem quando, nem se vai ter efeitos mediáticos (a escalada pode ser gradual; o vírus da SIDA, o HIV, demorou um tempo a evoluir a partir do SIV do macaco, que faço questão de notar, está filogeneticamente só um bocadinho de nada mais próximo de nós que aves ou porcos, independentemente de ter ser criado em laboratório ou não). Há vários sítios no mundo inteiro, por exemplo, com armazéns blindados de vírus da varíola, dada pela excepcional OMS como extinta...
Façamos um raciocínio simples. Sem mutações. Abre-se um frigorífico, uma gaveta, uma porta...em pouco tempo toda a gente que já não levou a vacina da varíola, (descontinuada do PNV para aí entre 1978 e 1980), isto é, todo o ser humano com menos de 29 anos morre, pelo menos, não falando das áreas de extrema pobreza em todo o mundo, que seriam, como é costume, dizimadas.
Estamos numa óptima altura, recessão global e tudo. Custa-me a acreditar que ainda ninguém tenha pensado nisto. Mesmo. E pensem nos porcos a toda a hora.
Não querendo insultar o animal, que cambada de suínos.

I hate the smell (2)

Continuando a minha longa lista de aberrações atrasadas sobre as quais tenho uma profunda necessidade de largar raios & trovões, tenho umas especiais de corrida atravessadas na garganta há já uns tempos.
É certo que os limites do ridículo (e do escabroso - e do decente) se vêm a alterar muito nestes últimos anos. Sobretudo a nível do que é virtualmente possível a nível de exposição pública (veja-se casal McCann por exemplo).
Os 15 minutos de Andy Warhol tornaram-se magros, e o efeito "ao vivo" parece que se tornou numa fantochada adulterada do Olimpo, como se a caixa, o LCD ou o plasma, e também a net, nos tivessem realmente aprisionado numa aldeia no mau sentido, em que somos obrigados a saber tudo sobre qualquer gato pingado que insista em que aparecer na televisão é ser gente.
Aquela rapariga com graves problemas psicológicos que não se contentou com 15 minutos, a quem vou chamar Já-de-coisinhaboa (tradução livre), vendeu cada segundo da privacidade da sua vida, da sua estupidez e da sua morte. Os estudiosos devem apontar a culpa aos pais ausentes, à infância tramada, etc, etc, sempre o mesmo verbatim. O que não obsta que ela tenha feito uma coisa que ainda não sei classificar convenientemente na minha cabeça como incrivelmente parva ou incrivelmente herética com um toque de info-exclusão ética (tão na moda nos dias que correm).
Ela prostituíu-se, no sentido de ter vendido o corpo (até à fase de farrapo), não a uma estação de televisão, mas a todos os espectadores atentos, avidos, viciados e consumidores da vida alheia, e vendido a alma ao melhor preço que lhe terão oferecido (o diabo já veste outras roupas).
Só vim a conhecer a personagem, porque teve o efeito de se catapultar até aos telejornais, encabeçar listas de apostas de finados e pôr um primeiro-ministro a ser mais idiota que o nosso. Afinal Já-de-coisinhaboa é património britânico? Mundial? De todos nós?
Para além de ficar multibilionária e morta, era isso que ela queria, ser de todos nós? E não houve ninguém com dois palmos de testa que desde 2000 até agora não tivesse analisado o vazio psicológico da Coisinhaboa? Estiveram todos demasiado ocupados a sugá-la na sua falta de maneiras, ignorância e dramatismo, a "vizinha do lado" de toda a gente por empréstimo, que , para salvação de todos, se imola na televisão? Como há 2000 anos, por outros métodos... Por aí entramos na necessária heresia dos meios de comunicação. Eles elegem os deuses e fazem-nos cair.
Em benefício de quem, senão das audiências? E, se é em benefício das audiências, quer dizer que o Truman Show passou para a vida real, e não apenas o 1984? Dêem-lhes alguma coisa para eles ficarem mansinhos, enquanto a gente trata das coisas?
Vê-se bem como as coisas têem sido tratadas, no sentido da ganância e do desespero. Qualquer sistema biológico ou físico (etc) tem energia e entropia (caos). É uma lei universal que a entropia aumenta sempre, por mais que se tente o contrário. E quando nem sequer se tenta... chega-se ao dia de hoje, tal e qual como ele é.
Uma outra face da mesma sede de protagonismo a roçar o mau gosto descobri muito por acaso. Estava a pesquisar imagens do Google sobre relógios, e encontrei uma bela fotografia do relógio da Gare/museu d'Orsay, em Paris, com uma boa definição.
Para guardar a fotografia abri um blog, por acaso dum cidadão português e tripeiro. O nome do blog - "I love the smell of quimio by the morning". #$%$#&%$ Auspicioso.
Em preâmbulo, sabe-se que o dito homem conta como 3 os seus tumores (malignos), o que não é bem verdade, 1º um carcinoma das cordas vocais (ou da laringe lá perto), 2º, um carcinoma do pulmão, 3º, a recaída do segundo.
E depois as crónicas esforçadíssimas do dia a dia de quem sempre se alimentou e continua a alimentar a álcool e tabaco. Esforçadíssimo tb o tratamento, sempre feito em França, nada com os mandraços do SNS. O dia em que foi apanhado pela polícia francesa com excesso de álcool a conduzir. Os dias das tesouradas à máquina zero.
Pergunto-me, será que ele próprio não reparou que não parece ter 50 e tal anos mas oitenta nos dias bons? Se o destino ironiza connosco, temos que fazer humor negro, tão negro que nem chega a ter piada?
É porque, quando se faz quimio, quase sempre deixa de se ter smell para qualquer coisa, já não falando dos maços aditivados. Eu não sou purista da causa, mas há coisas que me indignam. Lá que o homem lhe apeteça sadicamente gozar com a sua vida, é lá com ele.
Gozar com coisas muito sérias é com todos nós. Por essas e por outras é que eu própria gostava de ser mais info-excluída. O miolo ferve demais com esta gente obtusa que ainda por cima pensa que está a mandar uma mensagem.

sábado, abril 25, 2009

twenty four






Presidents may go (até agora foram 4, sendo que a arte imita os states, 1º afro depois, só mto depois, madam president), even all the presidents men, CIA; NSA; FBI; CTU. O senado, o congresso, todas as armas de destruição macissa do mundo ocidental e arredores, russos, chineses e africanos.

Jack Bauer remains. A prova viva de que os fins não só justificam os meios, como são bem parecidos e telegénicos.


sexta-feira, abril 24, 2009

vinte-e-quatro-vinte-e-zinco-vinte-e-seis...


Ha sempre um piano
um piano selvagem
que nos gela o coração
e nos traz a imagem
d'aquele Inverno

Ha sempre a lembranca
de um olhar a sangrar
de um soldado perdido
em terras do Ultramar
por obrigação
naquela missão

Combater na selva
sem saber porquê
e sentir o inferno
de matar alguém
e quem regressou
guarda a sensação
que lutou
numa guerra
sem razão

Há sempre a palavra
a palavra Nação
que os chefes trazem e usam
para esconder a razão
da sua vontade
daquela verdade

E para eles aquele Inverno
será sempre o mesmo inferno
que ninguém poderá esquecer
ter que matar ou morrer
ao sabor do vento
naquele tormento

Perguntei ao céu
será sempre assim
poderá o Inverno
nunca ter um fim
não sei responder
só talvez lembrar
o que alguém
que voltou, veio contar
recordar


Desculpe-se a qualidade, que os artistas são tugas de há muitos anos atrás.
Não o tempo suficiente, contudo. Já depois de 24, já depois de 26, já depois de 28. Já depois do inverno, em pleno aquecimento global dos anos 80. Ainda era, se não me engano, na altura, revolução. Entretanto, passou a evolução. Não posso dizer que saiba muito sobre a guerra colonial ou sobre um Portugal enorme, para além deste canteiro, Macau (patacas), Timor Leste (Lorosae), Açores, Madeira e o Reino dos Algarves.
É claro, estes artistas são de Cascais, que tb é um feudo. Hoje em dia há imensa gente que gosta de dizer que está farta dos Delfins. Daqui a pouco tempo, a evolução terá passado a impressão e a guerra a terra e depois a pó. E alguns são generais sob a égide da Elsa Raposo. E o país (que parece que já foi nação) ficará estendido sob o condado fundado devido a relações edipianas/freudianas mal resolvidas entre o Afonsinho e a Mamã, dois analfabetos, como o do inglês técnico.
Haverá alma para valer a pena ou sempre fomos todos a fingir?

quinta-feira, abril 23, 2009

23 de Abril


Hoje é o dia do Livro e tanto me falta! falta-me a terra debaixo dos pés depois de uma noite triste. Hoje falta-me a música, mas não o trabalho. Passo a passo. Passo pelas minhas extravagâncias generalizadas e não me surpreendo. O mundo não está para poemas. Apetece-me recomeçar a escrever. Já recomecei a jardinar. Preciso tornar-me essencialmente extra-terrestre.

Com um livro para ler.
AS PESSOAS MORREM, PORRA!
E NÃO HÁ NADA QUE TU POSSAS FAZER. NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA NADA.
LARGA O AMBU. VEM-TE EMBORA. DECLARA O ÓBITO. MIDRIASE FIXA.
DEIXAR DE VER.

world dreaming

Heaven / Lamb @ Youtube



Soon comes soon
Sweet so sweet
Fall soft
Between the sheets

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

Please you please
Mine be mine
Forever
And all time

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

Sleep to sleep
Sigh on sigh
On a lover's
Lullaby

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

This could be
Heaven right
Here on earth
This could be heaven

This could be heaven
This could be heaven
This could be heaven
This could be heaven


...
várias versões de Mad World
"the dreams in which I'm dying are the best I've ever had"












Mad World, original de Tears for Fears; de 1982 a 2009, de preferência em cacofonia sinfónica.
E até as séries (Prison Break) são editadas para imitar a arte...


No tomorrow, no tomorrow...

Tem que estar (tudo) iluminado, pf...

"How it ends"/Devotchka
música do trailer e BSO de Está tudo iluminado, um filme tão diferente que não se pode descrever, porque dá um baque no coração e nos girassóis.


Porque é que nós somos assim? Sempre assim? Nunca aprendemos, nunca mudamos. A terra gira sempre, e nós uivamos à Lua... Estamos sempre tão sozinhos no meio de tudo. Somos ilhas, somos pedras, somos instrumentos de arremesso, somos loucos. E queremos ordem. Qual ordem? Que Deus poderá ter pena de nós? Quem nos perdoa os nossos "pecados", quando metade de nós não percebe que "peca", e a outra metade se submerge pelos outros ou pelo peso de uma consciência que teve medo de abrir para simplesmente entrar o sol?
Não, nós desconfiamos cronicamente do juízo do próximo, aquele que há-de sempre atirar a 1ª pedra... O próximo somos nós, a nossa projecção nos outros que se afunda à medida que a nossa armadura se fecha e enferruja. Óxido de ferro. Muito. Água quase tudo. Sempre. Continuamos os mesmos, mesmas feridas, sem iluminação.
E depois, quando estendemos a mão, e vemos que toda a nossa força não é suficiente? Quando percebemos que a sabedoria nos leva a um buraco deveras profundo -sabemos o que está mal, o que deixou de funcionar, o que não vai funcionar...
Por feitio ou inerência profissional, quando olho, vejo, e quando vejo, percebo. Demasiadas vezes não gosto do que vejo, mas não basta fechar os olhos, está à minha frente. Demasiadas vezes sinto o que vejo. Não me atribuo poderes mediúnicos, nem capacidade de adivinhar o euromilhões, mas basta olhar, até na rua. Isenta da minha vontade, começo a ver a forma de coxear ou andar, um tique, um braço, uma cor. E sei o que é. Steppage, parkinson, avc... Mais perto é pior.
Apetece-me gritar quando começa a lei das séries. Não quero ter razão. Não quero confirmar a minha razão. Não quero ver as doenças nas pessoas antes de saber que elas existem, embora as adivinhe, as veja, não quero e não compreendo; mas porque é que acerto? Não quero ser dedicada. Quero ver antes de existir, para que nunca exista. Não quero pedir uma radiografia e sair-me uma coisinha má. Como as pitonisas. Não eram abençoadas. Foi-lhes rogada uma praga: podiam ver o futuro. Não pode haver nada pior do que olhar, ver e adivinhar o futuro.
Não sei explicar, mesmo que seja por bem. O futuro, como já sabia Blimunda, é demasiado certo, para podermos gostar dele quando o adivinhamos.
Tal e qual como o passado. Fará sentido?

quarta-feira, abril 15, 2009

Pascal atrasada

Hallelujah por um virginiano obcecado (por mulheres e por Deus, seja qual for a ordem), canadiano e septuagenário, mas muito em forma.


Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
HallelujahHallelujah
HallelujahHallelujah
Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah
Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah

Eppure si muove (e no entanto ela move-se)





Sinto-me mal com o mundo nas mãos. Sinto-me. Sinto apenas o coração nas mãos e já isso me basta de mais.
Não vou continuar o tema do yes we can. Sinceramente, estou-me nas tintas para o Obama. Não conheço os meandros da política norte-americana, mas há ténues mudanças de poder num país tão grande como (agora) inerte após 16 anos de Bushes. Republicanos e Democratas são alternância. Apenas isto.
Harry Truman, democrata, lançou as bombas atómicas sem ter sido eleito (era vice de Roosevelt), Lyndon Johnson, democrata e vice de Kennedy começou e elevou o Vietname a grande escala, Abraham Lincoln, contra a escravatura, era republicano e um dos presidentes mais amados. obviamente, mataram-no.
A democracia, tal como é hoje, tem as costas demasiado largas e serve demasiado de fantoche. informalmente sempre torci pela Hillary (e a Hillary está lá), de todos os candidatos sempre me pareceu ser a que tinha o que era preciso no lugar certo. Por alguma coisa os lobbystas não foram com a cara dela. Foi tão fácil para Obama, que é um sedutor televisivo como Kennedy, que é afirmar o óbvio - o homem não vai ser morto por ser negro, ou preto, ou o que lhe queiram chamar. Caramba, ele é o presidente mais branco dos Estados Unidos! Quem é que ele representa, quem o elege, quem o apoia? Pelo sistema eleitoral norte-americano, não foram só os jovens, mas as pessoas do costume, ie, homens da grana, o costume. Não consta que a grande minoria poderosa e WASP mude facilmente de cor.
E de repente o charme acabou, Obama engasga-se quando fala de finanças, há pessoas a quem identidades bancárias & hipotecárias mentiram muito. Tanto que passou a ser costume. Todos os dias. Até os míseros contribuintes, míseros hipotecários, míseros bancos à procura de lucros por ganância e sem sentido, mais uma data de seres anónimos que deviam ser estripados da face do planeta conseguiram fazer o sistema corromper-se a uma ordem exponencial tal que explodiu.
O sistema e nós, homo sapiens sapiens vulgares de Lineu. Em boa verdade, a nossa extinção pode basear-se tanto na Ecologia como na Economia. Estamos lixados. E nem sabemos quanto. É por todos os lados e a 4 ou 5 dimensões.
Sem escapatória, as pessoas estão a ficar religiosas, místicas, e a desviar técnicas de assalto. Em menos de um ano presenciei camiões de grandes superfícies escoltados pela polícia, assaltos a dependências bancárias onde não está o grosso do dinheiro (mas evidentemente está algum), que derivaram para assaltos a estações de correio (sim, é hipoteticamente mais perigoso entrar na estação de correios do Lumiar do que num banco das redondezas, já foi assaltada/arrombada várias vezes; o correio físico tb desaparece de alguns marcos na capital de um país da união europeia... ),e depois, é claro, roubam cigarros à tonelada.
Não tenho ideia do que acontece quando as leis fundamentais colapsam. Gostaria muito de não vir a ter. Infelizmente, sei que se uma pessoa tiver a infelicidade de ficar doente e entrar num hospital do estado, corre um sério risco de não ser tratada... os hospitais não têm dinheiro para comprar medicamentos. O horror é que é verdade. O horror é que não são acções terroristas, é o governo, estúpido! O horror é que não encontro em mim às vezes força para compreender para que serve um médico nesta altura? O horror é imaginar até quando a terra vai tremer debaixo dos nossos pés. O horror é pensar durante quanto tempo nos vai cair o céu em cima da cabeça. O horror é pensar no que vai restar depois disso.
Eu (ainda) sou do tempo em que explicavam a origem das palavras (ou em que isso significava alguma coisa). Oikos vem do grego e quer dizer casa. Economia quer dizer tratar da casa, as leis da casa. Ecologia quer dizer conhecer a casa (logos, grego para conhecimento). É ou não extraordinariamente coincidente que estejam as duas em ruptura, visto que o habitante perdeu a cabeça, por ele, e pelos outros inquilinos? Viciaram-se as leis ao ponto de a ganância lhes roubar o sentido, destruiu-se a casa ao inventar mais leis, uma casa destruída não precisa de leis.
O que nos resta é uma casa muito engraçada, não tinha tecto, não tinha nada... Tenho frio.

quarta-feira, abril 08, 2009

Ensaios Inflamados

@ Abrupto, há uns meses atrás. Por Jennifer Holzer e em versão livre, como se rogasse uma praga, ou melhor, confrontasse o mundo com uma coisa séria. Como se ninguém ligasse, mas todos soubessem a verdade e baixassem de mansinho a cabeça. Estamos enredados num turbilhão. O gato que empurra o novelo não tem paciência para a linha, nem humor. Quer um rato. Agora.
1


Não fale comigo com esse seu ar superior. Não seja bem educado. Não tente fazer-me sentir bem. Não fique calmo. Hei-de arrancar-lhe esse sorriso da cara. Pensa que eu não sei o que se está a passar. Pensa que tenho medo de reagir. Só me faz rir. Estou à espera do momento adequado, à procura do lugar certo. Pensa que ninguém pode chegar perto de si, ninguém pode ter o que você tem. Bem, tenho feito os meus planos, enquanto se diverte. Tenho poupado enquanto gasta. O jogo está quase a acabar, por isso é altura de reconhecer os meus créditos. Ou prefere cair sem sequer saber quem o derrubou?
2
O medo é a arma mais elegante, nunca te suja as mãos. A ameaça física é bruta, grosseira. Trabalhem antes nas mentes e nos credos, brinquem com as inseguranças como um piano. Sejam criativos na abordagem. Forcem a ansiedade a chegar a níveis martirizantes ou minem gentilmente a confiança do público. O pânico conduz os rebanhos humanos ao precipício; uma alternativa é a imobilização induzida pelo terror. O medo alimenta-se do medo. Ponham este processo eficiente a funcionar. A manipulação não é limitada a pessoas. As instituições económicas, sociais e democráticas podem tremer. Será demonstrado que nada é seguro, sagrado ou são. Não há respeito a partir do horror. O Absoluto desvanece-se. Os resultados são espectaculares.
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O mais auspicioso é que as mensagens pouco subliminares não se alteram com a forma verbal, seja 2ª ou 3ª pessoas, do singular ou plural. Omissos na língua inglesa, funcionam tb na portuguesa. Não ouvimos já estes discursos de letra pequena, que querem mas não querem dizer? Olho por olho, medo por poder? Game Over ou Start Again?

terça-feira, abril 07, 2009

Já não vale a pena mudar as moscas

Nós por Cá - SIC - 25/03/2009

peço imensa desculpa...

... mas vou começar a ser ofensiva, cáustica, urticante, irritante, etecetera por extenso. Este mundo é/está/será/continuará uma asneira, governado por imbecis, eleitos por imbecis com dinheiro e poder, que vão sugando o que podem aos outros imbecis que não têm poder e acham que numa democracia quem manda é o povo. Cretinos. Todos. De cima a baixo. De um lado ao outro, de todos os ângulos, que a terra é redonda e treme.
Hoje foi mais outro "cenário dantesco" com o ar de sono e enjoo do costume no telejornal. A imagem do dia, um homem de cuecas a ser salvo e a agradecer. Meu Deus. Berlusconi sem rugas. o homem que escarneceu da mulher do presidente de França (se o presidente de França tivesse alguma coisa no sítio, nem havia incidente diplomático nem nada, era uns pontapés num sítio sobre-excitado da besta que tb é meia-leca mas com mto mais botox).
As notícias do costume, filtradas da maneira do costume fartam-me. Quero ser uma imbecil desinformada. Quer apelar a todos os Sportinguistas veros, do coração mesmo, que façam alguma coisa por Lisboa, que é a cidade do nosso clube. Proponham, por amor de Deus, com insistência Santana Lopes para presidente do SCP. Por Favor. Façamos uma petição nacional. Ele é O homem, O menino guerreiro, a tia-avó Azeda-o-leite ainda por cima tb é do Sporting, ela cede ao apelo.
Não podemos, caros Sportinguistas, deixar aquela avantesma outra vez à solta por Lisboa (CML). As loiras e as tias votam todas nele. É um fenómeno. Imbecil, obviamente. Se ele ganha Lisboa, Sportinguistas de Portugal, não haverá túnel, nem fundo do túnel. 1755 será um beliscãozinho. Tentem visualizar um cogumelo atómico, mas pior, e de marca Lacoste. Nem deixará cratera para a posterioridade.
Sportinguistas, abnegação é o nosso lema. Uma petição, por Lisboa.
(vamos todos ser imbecis e felizes e pobres não vamos?)

segunda-feira, abril 06, 2009

As minhas aventuras na burocracia portuguesa


Tive o cuidado de não parafrasear o saudoso MEC ( nos tempos do Dinintel - aka medicamento que existiu no mercado até meados dos anos 80, altura em que foram expurgados todos os ditos dessa categoria, vulgo "fazem-emagrecer-assim-um-bocado-como-as-anfetaminas-com-os-efeitos-conhecidos-das-anfes") no título de um seu livro de crónicas As Minhas Aventuras na República Portuguesa.
Ainda sou do tempo em que ele era magro (porque será, I wonder...), e se candidatou ao parlamento europeu pelo PPM... pelo que a "republica" lhe deve ter sempre suscitado um digno interesse, pelo menos na onomástica geográfica de Portugal, no seu imbatível glorioso e nas suas gloriosas culinárias.
Então reposiciono-me, em relação á burocracia. Estamos no Simplex, não é? E no Magalhães etecetera. Verdade de La Palisse tresmalhada de Lei de Murphy. Portugal não muda, e se mudasse, seria sempre para pior.
O meu bilhete de identidade cometeu a inconfidência de caducar este ano, a 20 de Março. Como sou uma rapariga ponderada, em Dezembro comecei a pensar nisso, em Janeiro passou para a lista de coisas-a-fazer MESMO.
Já sabia de antemão esse terrível frisson: agarrar em 5 cartões e fazer um, iluminado. O elo mais fraco foi o BI, a caducar primeiro. Não iria por minha livre e espontânea vontade meter tudo num chip só por causa da informática técnica do nosso 1º. Teve que ser, mesmo.
Fui ao portal do cidadão confirmar os documentos. Reparei que já existia portal do cartão do cidadão, a partir de agora CC, com BI era mais fácil. Reparei que havia software para descarregar no computador, que requeria que o cidadão adquirisse também um terminal leitor de chip para fazer uma data de coisas que não estão ainda activadas... não explicava era como nem porquê, mas dava todas as credenciais da Microsoft e estudos estatísticos, que devem comprovar que moderno, mais moderno mesmo, só a nossa assembleia, pena é estar cheia de deputados...
Suspirei. Meditei. Oooooooom. Na parte de atendimento, pode-se saber como foi o afluxo de cidadãos na semana anterior perante a novidade, e até do próprio dia. Sempre. Sempre. Senhas suspensas. 300 números de espera em cada loja do cidadão. Oooooooom, qual quê.
De 5 em 5 anos, 2 a 3 meses antes de caducar, renovava o BI e perdia uns cms. Fui à Loja do Cidadão das Laranjeiras com pouca esperança, no dia 19 de Março (1 dia antes de. Sim. Eu).
Agradeço a São José a benção inesperada de ser um dia plenamente atípico. Vi e assentei todos os outros sítios onde poderia tentar ser atendida em Lisboa (ou grande Lisboa, já agora...); reparei que se podia fazer marcação e perguntei no balcão de informações. "Não está com muita pressa, pois não?". Estavam a fazer marcações para Junho... Por uma feliz coincidência, dois neurónios meus entraram em funcionamento, e aproveitei logo para marcar a próxima vítima ( o BI da minha Mãe caduca em Agosto). Boas acções destas, hein?
A verdade é que as senhas estavam suspensas mas já não faltava muita gente. Até ficar o espaço literalmente vazio não começou novo débito de papel. é claro que a rondar a máquina já estavam os mafiosos o costume eu-cheguei-1º. Na realidade, começou a desenhar-se uma fila para as senhas da fila... só ficaram 7 pessoas à minha frente.
Na espera, e estava um dia quentinho, vi as sras comporem-se, penterarem-se, pintarem-se e porem-se à fresca de alcinhas. Fotografia electrónica, assinatura electrónica (ficou um rabisco impressionante, mas ok), 12 euros sff. A sra que me atendeu estava perfeitamente zombie, e confundia código postal com telemóvel, ok (todas as pessoas no atendimento eram mulheres, detecto um padrão; até a chefe). Acho que troquei os indicadores electrónicos, ok. Também, hei-de ficar com um chip com 10 impressões electrónicas. Para quê? Não sei.
Só sei que me sentia mais à vontade quando aquilo se chamava Arquivo de identificação de Lisboa, e dependia do registo criminal, do que agora, que é do instituto dos Registos e Notariado. Aliás, como é que vou passar a escrever os atestados médicos? Lembrei-me agora... será que tb disponibilizam software da Microsoft?
Concluindo, continuo a andar com 5 cartões, um deles caducado, mais uma folha A4 com os dados do CC e outra que recebi em casa 1 semana depois e que tem tb... nada mais nada menos que 2 códigos (sendo o menor de oito dígitos) e 7 (sim sete, sete, sete!) PINs. #$%$#?
Em nome da simplicidade, com certeza... Ah, e se não perguntasse "quando é que o posso vir levantar", não ouvia, com tranquilidade "mais ou menos sessenta dias depois de receber a carta com as informações".
Nirvana. Absoluto. 12 euros. Quanto tempo demorará a caducar?

domingo, abril 05, 2009

Bitele-mania


Here I stand head in hand
Turn my face to the wall
If she's gone I can't go on
Feelin' two-foot small

Everywhere people stare
Each and every day
I can see them laugh at me
And I hear them say

Hey you've got to hide your love away
Hey you've got to hide your love away

How could I even try
I can never win
Hearing them, seeing them
In the state I'm in

How could she say to me
Love will find a way
Gather round all you clowns
Let me hear you say

Hey you've got to hide your love away
Hey you've got to hide your love away
Composed by Lennon/McCartney
( É uma das minhas preferidas, só o John é que canta. Não sei se é por ser triste ou por falar ao coração, sei que até a descobri primeiro no álbum vermelho (1º) dos Beatles para voz, guitarra e piano, e depois fui mesmo à procura da "original". Acho que soa mais "John" do que "Paul", e não só pela voz. Já ouvi uma 2ª versão do Eddie Vedder para o filme "I am Sam", quase, quase tão boa como.)
As palvras do Mestre John:
JOHN 1965: "One I do which I like is, 'You've Got To Hide Your Love Away.' But it's not commercial."
JOHN 1971: "It's one of those that you sort of sing a bit sadly to yourself, 'Here I stand/Head in hand.' I started thinking about my own emotions. I don't know when exactly it started, like 'I'm A Loser' or 'Hide Your Love Away,' or those kind of things. Instead of projecting myself into a situation I would just try to express what I felt about myself which I had done in me books. I think it was Dylan helped me realize that-- I had a sort of professional songwriter's attitude to writing Pop songs, but to express myself I would write 'Spaniard In The Works' or 'In His Own Write' --the personal stories which were expressive of my personal emotions. I'd have a separate 'songwriting' John Lennon who wrote songs for the sort of meat market, and I didn't consider them, the lyrics or anything, to have any depth at all. Then I started being me about the songs... not writing them objectively, but subjectively."
Isto e muito mais em www.beatlestube.net

Comeback


É uma vergonha, desde 23 do mês passado... Um serviço privado que se faz por gosto e não por obrigação... Ando cansada; duplamente, de fazer coisas, e de não fazer nada. De assimilar e não digerir. De ouvir de manhã na rádio aquilo sobre o que me apetecia blogar: correios portugueses a saque, cartão do cidadão a passo de nulidade, celebridades post-mortem, os tugas a dizerem que querem ser espanhóis...
A realidade já ultrapassou, à muito tempo, a ficção. Resta saber é quando vai descambar de vez, ao vivo, e a cores, agora em alta definição.
Nirvana, I´m back.
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